Paulatinamente, vamos respondendo às questões colocadas pelo programa. (Ou «respondendo», o que se calhar até é melhor.) Alguns alunos deram já respostas interessantes. Nesta entrada reproduzo o programa com a nota extra de inserir essas notas. É uma entrada do blogue em construção, por isso sugiro que a visitemos com alguma frequência, nem que seja para ver que um ponto ainda não foi respondido.
1. Um livro é um livro?
1.1. A perspectiva do autor
1.2. A perspectiva do editor
1.3. Outras: livreiro, distribuidor, Estado, media, leitor
2. A natureza da edição
2.1. Livro, jornal, revista – o que edissão
2.2. Coerência interna – a regra do jogo
2.3. Uma actividade comercial ou cultural?
3. A casa
3.1. Pequeno grande editor: O caso da Relógio d’Água (Céu Coutinho)
3.2. Marcar a diferença, conhecer o mercado (Catarina Gaspar)
Em Portugal, está visto que existem inúmeras editoras, umas de maiores dimensões, outras mais pequenas. As maiores, como a Porto Editora, publicam todo o tipo de livros, desde escolares a clássicos, de dicionários a literatura moderna, englobando habitualmente autores de renome em cada uma destas áreas. As mais pequenas parecem restringir-se a um número limitado de estilos ou a um só estilo destinado a um determinado público alvo. Isto faz todo o sentido, porque as grandes editoras têm um público garantido, por assim dizer, enquanto que as pequenas editoras têm de dar ao leitor um motivo para adquirir os seus livros, seja para apoiar uma certa ideologia representada pela editora, seja porque o leitor se identifica com a editora em termos de estilo pessoal pela sua irreverência, entre
outras razões. Por exemplo, faz sentido que um leitor feminista faça questão de comprar livros da editora Sibila para reforçar a defesa da sua causa.
3.3. Tradutor, revisor, designer, paginador, marqueteiro (Mara Quental)
3.4. Ciência, Arte, Lotaria – Racionalidade e Irracionalidade (Ana Cunha)
4. O jogo dos papéis
4.1. O editing – prós e contras (Ana Cepeda Alves)
Critério
editorial aplicado ou aplicando-se. O editing
servirá como filtro e teste de performance. O editor – o leitor primeiro, o
leitor ideal da obra – lança sobre o texto todas as perguntas, emergentes ou
urgentes, que poderão evidenciar a inteligência, clareza e estilo autoral da
obra a publicar.
4.2. A edição crítica
4.3. Do filho de Eça de Queirós a Gordon Lish (Inês Fernandes)
5. O Caso da Ameaça Eletrônica
5.1. Do Bubble Gum ao Bubble Blog
5.2. Novos suportes, velhos importes
5.3. Um romance é igual à Enciclopédia Britânica? (Cláudia Amaral)
Cada livro é escrito com intenções diferentes. Um livro pode ser escrito para ajudar as pessoas a compreender assuntos que estas não dominam, como é o caso das enciclopédias, e podem também ser escritos simplesmente para entreter ou para contar histórias imaginadas, que é o caso dos romances.
5.4. Admirável mundo novo: ibuques, dibuques, amazonas (Catarina Gaspar)
É cada vez mais fácil fazer compras online, inclusive no que diz respeito a livros. Aqui há tempos conheci uma rapariga que só lia livros obtidos através da internet por preferir uma literatura alternativa maioritariamente de escritores amadores, embora com algum esforço também a pudesse encontrar em algumas livrarias. Talvez isto seja fruto de um erro das livrarias e/ou das editoras que não investem o suficiente em determinados tipos de literatura. Eu própria, quando considerei publicar um texto, encontrei mais facilidade em fazê-lo por meio da internet.
Este fenómeno literário emergente traz vantagens aos tais escritores amadores, quer através de lucro capital, de críticas construtivas à sua produção escrita ou de divulgação, e também ao ambiente, dado o gasto mais reduzido de recursos na publicação de um livro online em relação às edições em papel.
No entanto, produz menos lucro para as editoras, para as livrarias e para os escritores previamente publicados. Além disso, leva a um desprestígio do modo tradicional de leitura.
Ainda assim, creio que, enquanto houver um equilíbrio entre ambos os meios, as vantagens se sobrepõem vastamente.
(Dália Rodrigues)
Ouço há anos que os ebooks são o futuro e que os livros impressos vão deixar de existir. Penso que não. A satisfação de comprar um livro novo, a sensação de o folhear e a antecipação pela futura aventura que vou viver, nunca poderiam ser tão entusiasmantes com um livro digital. Porém, os ebooks têm a sua vantagem. Quando necessito de um manual para uma disciplina da faculdade prefiro tê-lo em formato digital no meu tablet em vez de andar carregada o dia todo. A Amazon também tem pontos positivos, mas a experiência de descobrir os tesouros escondidos duma alfarrabista não tem comparação com compras online.
6. Da edição amadora à edição profissional
6.1. Autor morto, autor posto
6.2. O contrato do desenhador
6.3. Onde pára o livro?
6.4. Os novos marcadores: grandes grupos, escuteiros, marqueteiros
7. Os parceiros do livro
7.1. Livrarias, alfarrabistas, hipermercados
7.2. A feira permanente
7.3. Prémios literários, importações, exportações
7.4. O Estado, programas de apoio
7.5. Os órgãos de comunicação
7.6. A morte do artista
8. Estudos de caso
8.1. Companhia das Letras: sete pecados capitais
8.2. O editor de actas
8.3. [A preencher quando soubermos o quê]
8.4. A Booktailors - Consultores Editoriais
9. O futuro do livro
9.1. Do livro electrónico
9.2. Do livro em papel
9.3. Os papéis do livro
9.4.Nada Tudo está por inventar
10. O que quero ler/editar?
10.1. Artesanato ou indústria?
10.2. Arte ou ciência?
10.3. Sonho lindo ou realidade deprimente?
10.4. Publicando the Great American Novel
10.5. O feiticeiro de Oz
1. Um livro é um livro?
1.1. A perspectiva do autor
1.2. A perspectiva do editor
1.3. Outras: livreiro, distribuidor, Estado, media, leitor
2. A natureza da edição
2.1. Livro, jornal, revista – o que edissão
2.2. Coerência interna – a regra do jogo
2.3. Uma actividade comercial ou cultural?
3. A casa
3.1. Pequeno grande editor: O caso da Relógio d’Água (Céu Coutinho)
A Relógio d’Água é um exemplo de uma
editora de média dimensão que se tem vindo a afirmar por um posicionamento que
privilegia a qualidade literária. Apresenta um catálogo recheado de obras
significativas, num equilíbrio interessante entre clássicos e novidades.
Tem uma comunicação sóbria e eficaz. Todos
os dias marca presença nas redes sociais com conteúdos de grande valor, quer ao
nível da informação, quer ao nível da comunicação, para usar a dictomia que o
professor citou na aula.
Cada livro apresentado torna-se um objecto
de desejo. A editora conseguiu criar e consolidar uma imagem de confiança,
credibilidade, coerência e solidez. Cada lançamento ou nova edição confirmam as
expectativas criadas no leitor.
A parte visual corrobora a excelência da
linha editorial pois as capas e o grafismo das obras são sóbrios, elegantes e
apelativos. Há uma forte evidência de bom gosto.
A recente aquisição dos direitos de
reedição da obra de Agustina Bessa-Luís veio reforçar e coroar este
posicionamento, elevando o prestígio da Relógio d’Água. Parece não só um
exemplo paradigmático de como um autor pode conferir aura a uma editora, como
também, acima de tudo, um encontro feliz que vem beneficiar os leitores e a
literatura portuguesa.
Como nota adicional e paralela, parece-me
oportuno mencionar a recente polémica que opôs o editor da Relógio d’Água,
Francisco Vale, ao seu congénere da Gradiva, Guilherme Valente. A contenda
materializou-se em dois ou três artigos de jornais e foi iniciada pelo editor
da Gradiva que acusou a Relógio d’Água, entre outras críticas, da falta de uma
linha editorial própria e de querer determinar gostos, proferindo ainda
acusações de tom pessoal contra Francisco Vale. O visado respondeu de forma
contida e sustentada, preservando assim a boa imagem e o bom nome da sua
editora. O incidente contribuiu para reafirmar a Relógio d’Água como uma das
editoras nacionais mais coerentes e confiáveis.
(Inês Fernandes)
(Inês Fernandes)
Têm surgido nos últimos anos variadíssimas pequenas editoras. Editoras como
a Chilly com Carne, Unipop ou as Edições antipáticas são marcadas por uma
índole política carregada não só no que editam mas na forma como editam,
rejeitando em parte o mercado tradicional. As próprias pessoas que colaboram
com estas editoras fazem movimentos pendulares: ora chegam, ora vão. A
constelação de pessoas é imensa (com um núcleo duro, claro) porque, querendo
rejeitar a lógica capitalista do lucro, acreditam que ao contribuir para a
edição destes títulos estão, no fim, a agir politicamente enquanto
profissionais e ativistas. Os livros são vendidos em pequenas feiras,
penetrando por vezes mercados mais abrangentes (lembro-me aqui do lançamento em
plena Feira do Livro de “Anarco-queer? Queercore!” da Chilly com Carne) mas
sempre com pouco sucesso comercial. Dentro desta constelação existem editoras –
como as Edições Antipáticas – que têm todas as suas edições disponíveis online
gratuitamente e que vendem os seus livros apenas como forma de ter
contribuições para financiar edições futuras, se as pessoas assim o desejarem.
Em Portugal, está visto que existem inúmeras editoras, umas de maiores dimensões, outras mais pequenas. As maiores, como a Porto Editora, publicam todo o tipo de livros, desde escolares a clássicos, de dicionários a literatura moderna, englobando habitualmente autores de renome em cada uma destas áreas. As mais pequenas parecem restringir-se a um número limitado de estilos ou a um só estilo destinado a um determinado público alvo. Isto faz todo o sentido, porque as grandes editoras têm um público garantido, por assim dizer, enquanto que as pequenas editoras têm de dar ao leitor um motivo para adquirir os seus livros, seja para apoiar uma certa ideologia representada pela editora, seja porque o leitor se identifica com a editora em termos de estilo pessoal pela sua irreverência, entre
outras razões. Por exemplo, faz sentido que um leitor feminista faça questão de comprar livros da editora Sibila para reforçar a defesa da sua causa.
3.3. Tradutor, revisor, designer, paginador, marqueteiro (Mara Quental)
Todas as casas têm um esqueleto, sem o qual não se mantêm de pé. Com as
Editoras acontece o mesmo, sejam pequenas ou grandes.
Os tradutores, revisores, designers, paginadores, marqueteiros são o
esqueleto de um Editora. São eles, ou, muitas vezes, é ele/a, que levam as
Editora a bom-porto.
Se um livro estiver mal traduzido e revisto, provavelmente o leitor não o
recomenda, ou recomenda mas na sua língua de origem. Se o design não for apelativo
passa despercebido nas livrarias. Se a paginação não for bem feita, o livro
pode não fazer sentido durante a leitura. Se o marqueteiro não fizer bem o seu
trabalho, os livros não chegam a todos os locais de vendas.
Por isso, de que serve uma Editora ter muito dinheiro, se não for para ter
um bom “esqueleto” a seu serviço?...
(Dália Rodrigues)
Todas estas posições incorrem no processo de edição e publicação de um livro e todas são igualmente necessárias. No entanto, a meu ver, podemos agrupá-las em duas categorias, que formam as duas grandes facetas do que é um livro: o abstrato - a história, a linguagem, etc. - e o concreto - a capa, as páginas, etc. -, ambos jogando com a beleza em diferentes vertentes. Esses dois grupos são, assim, quem vê o livro tendo em conta o seu conteúdo, focando-se na linguagem, no enredo, na estrutura linguística, etc. – os tradutores e revisores -, e quem vê o livro como um objeto, centrando-se na sua imagem e viagem física, espacial e temporal com pormenores que ajudam o autor no seu objetivo – o designer, o paginador e o marqueteiro. Este último tem a função de trazer o autor ao leitor com técnicas de marketing e entra na transformação do livro quando, através dos seus estudos de mercado, o marqueteiro prevê uma melhor publicidade do livro se mudar, por exemplo, a imagem de capa.
3.4. Ciência, Arte, Lotaria – Racionalidade e Irracionalidade (Ana Cunha)
Como sabemos, os critérios de publicação de uma editora
publicar são diversos, dependendo muito da editora que os publica e dos seus
princípios editoriais, o seu mercado e o seu poder de alcance (desejado e
real).
A questão, portanto, da racionalidade ou irracionalidade
depende muito, portanto, de onde se coloca a tónica: É mais racional apostar em
sucessos instantâneos e querer vender,
com maior força no aspeto comercial, ou será o racional apostar na
qualidade do que se publica e na divulgação de novas obras que saem da
banalidade literária?
Tomando o caso português, editoras como a Relógio d’Água
apostam na edição de títulos clássicos da literatura mundial, uma aposta muito
provavelmente deliberada para ganhar terreno de avanço nesse mercado) - ciência
-. Já editoras como a Lado Esquerdo optam por vender, através da sua página de Facebook,
livros de autores de poesia pouco conhecidas no mainstream, com pouca
tiragem e de pouco alcance (também provavelmente por falta de possibilidade
para mais)- arte - . Uma escolha mais romântica, se assim o pudermos
chamar. A Assírio & Alvim tornaram-se um dos maiores nomes de edição de
poesia em Portugal, enquanto a Chiado Editora publica todos os que puderem
pagar, sem uma linha editorial aparentemente definida. Muitos dos livros que se
tornam bestsellers parecem um pouco “caídos do acaso”, uma lotaria,
portanto.
(Adriana Castro)
(Adriana Castro)
A
arte de editar, em suas diferentes vertentes, caminha pari passu com a cultura e o comércio. Considerar essa assertiva
significa dizer que transformar o conhecimento científico (ciência), consolidado através do tempo, em arte (materialização do conhecimento - científico ou mundano) exige do profissional de edição boa dose de
imparcialidade (racionalidade), já
que os seus interesses pessoais ou comerciais (emoção x razão = ?, podendo chegar
ao campo da irracionalidade) devem
se manter distantes do produto final do seu trabalho.
Há
de se considerar, ainda, outros partícipes desse “jogo”, que envolve desde o criador,
o tradutor e o revisor ao consumidor. Todos os profissionais desempenham papel
de relevância e, no entanto, nem sempre garantem o sucesso do produto, já que -
não esqueçamos - trata-se de arte e, como toda arte, apresenta aspectos
intangíves/subjetivos (lotaria).
4.1. O editing – prós e contras (Ana Cepeda Alves)
Dos prós
Um
trabalho a sós e um trabalho de colaboração. Editor e autor convertem-se num
binómio funcional. Nesse sentido, o risco não estará tanto em impor uma voz exterior,
mas em não ouvir a voz do autor. Este será o esforço crítico do editor.
Poderá também olhar-se para o editing
como um exercício de higiene literária. O varrimento de lugares comuns, a lixiviação
de algum excesso descritivo, a necessária fricção das vozes passivas, o
polimento da pontuação. Uma limpeza básica, porém necessária.
Dos contras
O caso Malcolm Lowry é exemplar. A defesa que o autor fez da versão final
da sua obra – intocável – evocando a
semelhança desta a uma sinfonia ou ópera, acabou por vencer as reservas da sua
editora britânica – Debaixo do Vulcão tornou-se um clássico da literatura mundial. Evidentemente
o preço foi alto. Dez anos demorou Malcolm a chegar a esta versão, com o apoio
da sua segunda mulher e primeiríssima editora. (Entrevendo os desregramentos do
autor, foi obra.)
A intervenção do editing é, paradoxalmente,
exemplar em Walter Benjamin. Sôfrego por ver a su’A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica traduzida e
publicada em francês, assente num “branqueamento político do seu léxico”,
que a posterior edição alemã, e póstuma publicação, voltará a repor, ainda mais
manifestamente. Os dois editings
refletem bem o poder da edição.
(Mara Quental)
(Mara Quental)
O trabalho de editing tanto pode dar poder ao
Editor como retirar qualquer autoridade que possa ter à partida. Em muitos
casos é o Editor que detém a palavra sobre o que é editado e como, tendo mesmo
o poder de escolher com quem quer trabalhar; noutros casos nem autoridade tem
para mexer no manuscrito. É suposto o Editor ser invisível bem como todos os
envolvidos no processo de edição, mas será essa invisibilidade justa para quem
tanto trabalhou para o sucesso do livro (tal como o/a escritor/a)?...
(Ana Cunha)
É difícil, à primeira vista, nomear muitos contras de editar um texto. O maior contra que me vem à mente, e não no papel de editora mas sim no papel de quem é editado, é a mudança do “menino dos nosso olhos”, isto é, é particularmente difícil para um escritor colocar-se na posição de ter o seu texto alterado, em maior ou menor grau, dependendo talvez de/do orgulho do autor e do “sacrifício” por um texto melhorado. De facto, é essa a maior vantagem da edição, a possibilidade de corrigir não só problemas de escrita mas erros gramaticais, ortográficos e sintáticos, com um olhar mais treinado a esse tipo de pormenores e menos parcial (idealmente toda a edição melhora o texto).
(Ana Cunha)
É difícil, à primeira vista, nomear muitos contras de editar um texto. O maior contra que me vem à mente, e não no papel de editora mas sim no papel de quem é editado, é a mudança do “menino dos nosso olhos”, isto é, é particularmente difícil para um escritor colocar-se na posição de ter o seu texto alterado, em maior ou menor grau, dependendo talvez de/do orgulho do autor e do “sacrifício” por um texto melhorado. De facto, é essa a maior vantagem da edição, a possibilidade de corrigir não só problemas de escrita mas erros gramaticais, ortográficos e sintáticos, com um olhar mais treinado a esse tipo de pormenores e menos parcial (idealmente toda a edição melhora o texto).
4.2. A edição crítica
4.3. Do filho de Eça de Queirós a Gordon Lish (Inês Fernandes)
Imagino que sejam muito poucos os livros que surjam no mercado sem
interferência externa. O editor ou editora é apenas uma das muitas pessoas que
editam cada livro (basta olhar para a secção de agradecimentos). Editar um livro
é necessariamente alterá-lo, mesmo se por vezes se altere para pior: a partir
do momento em que outra pessoa tem um input
a dar o livro deixa de pertencer só a quem o escreveu. Esta linha de
pensamento leva-me a pensar: será precisa uma aldeia para criar um livro?
Quantas pessoas para lá do editor dão o seu feedback,
quantas pessoas para lá deste dizem coisas como “olha lá, isto aqui não te
parece um bocadinho estranho?” – e a coisa sai – ou “isto é brutal!” – e a
coisa fica?
Habituei-me a ler secções de agradecimentos sem grande interesse enquanto a
minha visão dispara para o nome de quem editou. Talvez seja uma prática a
reconsiderar: talvez nos ajude a descobrir tanto os Lish como os filhos do Eça.
(Catarina Gaspar)
Ø Do filho de Eça de Queirós a Gordon Lish
Parece-me interessante esta questão de editores que, por produzirem edições póstumas, acabam por interferir com o texto mais do que seria expetável. Idealmente, o editor teria apenas de corrigir certos aspetos formais do texto original, mas facilmente conseguimos conceber indivíduos com uma grande capacidade em termos de imaginação, originalidade e até coerência na sucessão das ações, sem qualquer talento a nível do domínio da língua e da expressão escrita. Talvez um autor deste género tivesse sucesso na área do cinema, mas tendo este potencial sido encontrado por um editor após a morte da entidade criativa, dificilmente podemos contestar a alteração da obra em termos de estilo para um maior êxito a nível comercial, do qual depende sempre a vida do editor. Isto pode não correr bem em todos os casos, mas ambos os casos discutidos foram grandes sucessos e, caso não fossem, seria sempre o editor que teria de lidar com tal infortúnio, pois o pior que poderia acontecer ao falecido autor seria ter a sua memória manchada. De qualquer forma, ser um artista aclamado depois de morto não o beneficiaria muito.
5. O Caso da Ameaça Eletrônica
5.1. Do Bubble Gum ao Bubble Blog
5.2. Novos suportes, velhos importes
5.3. Um romance é igual à Enciclopédia Britânica? (Cláudia Amaral)
Cada livro é escrito com intenções diferentes. Um livro pode ser escrito para ajudar as pessoas a compreender assuntos que estas não dominam, como é o caso das enciclopédias, e podem também ser escritos simplesmente para entreter ou para contar histórias imaginadas, que é o caso dos romances.
A edição destes livros vai ter em conta as suas funções.
Uma enciclopédia vai precisar de mais páginas e imagens e vai ser impressa a
cores, enquanto o romance pode só ter imagens na capa e pode ser impresso a
preto e branco. É preciso ter em conta todas as características dos livros.
Decidir se podem ser impressos em formato e livro de bolso ou não, em capa dura
ou capa mole, se têm uma linguagem mais formal ou mais informal, entre outras
características.
Os dicionários são um bom exemplo deste tipo de decisões
editoriais. Um dicionário vai ter sempre muitas páginas, uma linguagem formal e
vai ser impresso a preto e branco mas, estilisticamente, podem ser tomadas
diversas decisões. O dicionário pode ser impresso em capa mole ou em capa dura,
pode ter versão de livro de bolso ou normal, e tudo isto depende da função que
o editor tenha em consideração. Se for um dicionário pensado em crianças em
idade escolar, talvez seja bom existir um dicionário de bolso com capa mole
para poder ser transportado com facilidade. Por outro lado, se for um
dicionário especializado em termos técnicos de uma determinada área, já poderá
ser impresso em tamanho maior que o normal e em capa dura, não só para durar
mais tempo como também para facilitar a sua consulta.
Apesar de serem todos livros, têm intenções diferentes e,
por isso, devem ser tratados de maneira diferente, tendo em atenção as suas
necessidades e intenções.
(Ana Cunha)
A pergunta, levada literalmente, não fará muito sentido,
ou melhor, terá uma resposta simples e curta. Claro que não são iguais ou
teriam o mesmo nome; seriam os dois romances ou enciclopédias.
A verdade é esta: cada um serve o seu propósito literário
(e de vida). Para alguns, não servirá propósito nenhum; para outros, um terá
mais relevância no dia-a-dia do que o outro. Mas todo o texto contribui para o
conhecimento e até entretenimento do seu leitor. A evolução do saber académico
e geral dá-se graças aos dois tipos de publicação.
É cada vez mais fácil fazer compras online, inclusive no que diz respeito a livros. Aqui há tempos conheci uma rapariga que só lia livros obtidos através da internet por preferir uma literatura alternativa maioritariamente de escritores amadores, embora com algum esforço também a pudesse encontrar em algumas livrarias. Talvez isto seja fruto de um erro das livrarias e/ou das editoras que não investem o suficiente em determinados tipos de literatura. Eu própria, quando considerei publicar um texto, encontrei mais facilidade em fazê-lo por meio da internet.
Este fenómeno literário emergente traz vantagens aos tais escritores amadores, quer através de lucro capital, de críticas construtivas à sua produção escrita ou de divulgação, e também ao ambiente, dado o gasto mais reduzido de recursos na publicação de um livro online em relação às edições em papel.
No entanto, produz menos lucro para as editoras, para as livrarias e para os escritores previamente publicados. Além disso, leva a um desprestígio do modo tradicional de leitura.
Ainda assim, creio que, enquanto houver um equilíbrio entre ambos os meios, as vantagens se sobrepõem vastamente.
(Dália Rodrigues)
Ouço há anos que os ebooks são o futuro e que os livros impressos vão deixar de existir. Penso que não. A satisfação de comprar um livro novo, a sensação de o folhear e a antecipação pela futura aventura que vou viver, nunca poderiam ser tão entusiasmantes com um livro digital. Porém, os ebooks têm a sua vantagem. Quando necessito de um manual para uma disciplina da faculdade prefiro tê-lo em formato digital no meu tablet em vez de andar carregada o dia todo. A Amazon também tem pontos positivos, mas a experiência de descobrir os tesouros escondidos duma alfarrabista não tem comparação com compras online.
6. Da edição amadora à edição profissional
6.1. Autor morto, autor posto
6.2. O contrato do desenhador
6.3. Onde pára o livro?
6.4. Os novos marcadores: grandes grupos, escuteiros, marqueteiros
7. Os parceiros do livro
7.1. Livrarias, alfarrabistas, hipermercados
7.2. A feira permanente
7.3. Prémios literários, importações, exportações
7.4. O Estado, programas de apoio
7.5. Os órgãos de comunicação
7.6. A morte do artista
8. Estudos de caso
8.1. Companhia das Letras: sete pecados capitais
8.2. O editor de actas
8.3. [A preencher quando soubermos o quê]
8.4. A Booktailors - Consultores Editoriais
9. O futuro do livro
9.1. Do livro electrónico
9.2. Do livro em papel
9.3. Os papéis do livro
9.4.
10. O que quero ler/editar?
10.1. Artesanato ou indústria?
10.2. Arte ou ciência?
10.3. Sonho lindo ou realidade deprimente?
10.4. Publicando the Great American Novel
10.5. O feiticeiro de Oz
Sem comentários:
Enviar um comentário