quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Aula 9, hoje, 9/11: O caso Paulo Teixeira Pinto, as bolsas de criação, o futuro

Paulo Teixeira Pinto foi político, banqueiro, criador de um grupo editorial (Babel) e presidente da APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros. Na última aula falei dele como estudo de caso, nada mais justo do que deixar aqui este artigo que, coincidência, foi publicado agora.

Uma nota: as pessoas têm direito às suas incoerências, fazem parte da vida; é só incómodo quando recusam ou recusaram a outras aquilo que, em situação, reclamam para si.


STARTUPS À STARTSÉRIA
1
As «bolsas de criação literária» foram implementadas há cerca de 20 anos. Depois desapareceram. Na altura, anos 90 vieram perguntar-me o que pensava, esperando que as achasse «ridículas» e «esbanjamento». Não achei. Esclarecendo que nunca fui candidato, nem o prevejo ser tão cedo, acho e a achei bem. O investimento do Estado é ridículo – cerca de 150 mil euros, já alguém fez as contas. 
2
A possibilidade de retorno é pouca, directamente, dado que nem sempre uma obra de arte respeitável sai da pressão tic-tac, isso é bom para enervar o Capitão Gancho, não para fazer voar o Peter Pan; mas é muita, indirectamente, dado que quem é honesto e lhe luz algum talento, se bem tratado e acarinhado, esforça-se ainda mais.
3
E estou em crer que a maioria dos 12 contemplados (12, como na última ceia) vai dar o litro pela litratura. Quem perdeu não lhes inveje a sorte, espera-os (cá está, se forem honestos e escrupulosos) um pequeno inferno.
4
Parabéns a vocês, rapaziada, mas cuidado com a húbris. Evitem entrar no clube dos que ficam contentes quando muitos «perdem», pois assim a nossa «vitória-vilória» fica «mais valorizada». Encolhe-nos a alma, tal tique neoliberal. Vou dizer em inglês, que é para voceses entenderem: Not nice, folks.
5
A quem não obteve a bolsa, este conselho de quem já anda neste negócio há algum tempo: trabalhem mais. Trabalhem mais nos interstícios do tempo livre que tiverem. E lembrem-se: mesmo que a coisa-texto que fizerem seja uma belíssima bosta, não deveis nada a ninguém.

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