terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Diogo Vaz Pinto, ainda os Cem Poemas


«Não vale a pena determo-nos aqui em miudezas. Para isso já Luís Miguel Queirós veio com o seu escalpelo mostrar as incoerências, fragilidades e gralhas, notando até que “a capa não faria má figura num prospecto da secção de frutas e legumes do Continente”. Mas não vai mais longe, e até a legitima. Além das diplomáticas três estrelas – isto para ninguém se chatear –, ajuda-a a atravessar a passadeira, dando-a como objecto digno de análise à lupa e faz-lhe o favor de não ver o que há nela de mais insinuante: o seu despudorado oportunismo comercial, a banalidade dos seus méritos, o vazio crítico de uma proposta que, dizendo recusar “cânones académicos e os espartilhos da notoriedade”, se auto-promove como “uma leitura incontida e luminosa do panorama poético português para fruir sem constrangimentos”, patati patatá. Sem constrangimentos!? No meio de tanto golpe publicitário é difícil perceber o que sobrevive a todos os constrangimentos com que esta antologia sufoca a poesia e, na verdade, o mais triste é dar-mo-nos conta de que toda uma geração se mostra tão dócil ao ponto de se deixar arregimentar nestes esquemas publicitários.»
Texto completo aqui.
JMS sobre a crítica de LMQ aqui.
A minha questão: é assim tão errado lançar um volume comercial, com um título evidentemente demagógico? Que mal tem se 'Os Cem Melhores Poemas Portugueses dos Últimos Cem Anos' se vender bem, sobretudo entre os não-leitores de poesia? Não é melhor ler alguma poesia (e apesar de tudo com algum critério) do que poesia nenhuma?

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