domingo, 29 de outubro de 2017

A morte duma livraria

Por Rui Alves de Sousa

A Livraria Bulhosa de Entrecampos foi um dos espaços que marcaram o meu crescimento. Até hoje visitava-a quase diariamente, e foi graças ao seu "espólio" que descobri muitos belos romances, ensaios e BDs.

Há quase dois meses encerraram por motivos de inventário, como indicava o letreiro que colocaram à porta. Estranhei porque, como bem sabia graças à minha experiência de trabalhar numa outra livraria igualmente importante para mim, os inventários costumam ser feitos mais para o fim do ano/início do ano seguinte. Além de que, por terem forrado o vidro todo da loja, dava mais a ideia de que a mesma tinha fechado de vez. Mas não questionei mais.

Passaram-se dias e semanas. Estava a ser o inventário mais longo de sempre, pelas minhas contas.

Um dia voltei a passar por lá e o letreiro tinha desaparecido. Desde então passaram-se mais umas semanas e já não tinha dúvidas do que tinha realmente acontecido.

Hoje passei pelas Amoreiras, que tem uma outra Bulhosa, ainda em funcionamento (mas a fraca iluminação dá a ideia que também está prestes a desaparecer). Descaradamente, pedi ao funcionário que estava no balcão para confirmar as minhas suspeitas.

"Sim, infelizmente", diz ele, "é uma pena".

E com pouca vontade de continuar a falar no assunto, não acrescenta mais nada.

Acreditem em mim quando vos digo que esta não é uma tentativa de fazer aqueles posts paternalistas relacionados com coisas culturais que encerram sem aviso ou qualquer interesse geral. Posts que acabam sempre com frases do género "a culpa é vossa se a livraria fechou porque não iam lá" ou "ai a minha vida nunca será a mesma com este encerramento". Sei é que alguns dos meus amigos facebookianos também conheciam esta Bulhosa e, provavelmente, sentirão também alguma tristeza com o seu término.

Não era uma livraria espectacular, mas destacava-se por ser aquilo que um estabelecimento como esse deve ser: uma casa de cultura e diversidade, ou seja, algo mais do que um espaço de venda de livros. Foi lá que comprei muitos e bons títulos , foi lá que assisti a muitos eventos culturais interessantes e, por curiosidade, é na Bulhosa que fiz uma das minhas raríssimas e curtíssimas aparições na TV,  aos 12 anos, num programa da RTP 2, a falar do Principezinho. Espero que alguém lá dos arquivos já tenha tomado a decisão certa: destruir essa cassete.

Enfim, continuando: Sei, pela experiência que tive a trabalhar na outra livraria, como é difícil abrir e manter um espaço assim nos dias que correm. Admiro cada vez mais quem consegue fazê-lo, fugindo dos grandes centros comerciais e da correria que não corresponde à literatura.

Mas para isso têm de ceder a outras coisas para ganhar clientela: criaram-se cafetarias, algumas vendem bolinhos e brinquedos e o totoloto, e algumas até já vendem mais coisas dessas do que livros. É sinal dos tempos. Para mim até prefiro que tenham esses apetrechos mas que continuem assim, livrarias que permitem às pessoas um contacto mais próximo, personalizado e sossegado com os livros. Por mais defeitos que tivesse, a Bulhosa era assim.

A Bulhosa chegou ao fim, e é triste ver que um espaço tão dinâmico e acolhedor teve de acabar. É uma boa parte da minha vida em Lisboa e das minhas memórias literárias que também se fecha. É pena, mas a vida continua, e lá no fundo, o que interessa é ler livros, independentemente de serem comprados na Lello ou no Continente. Só que a experiência de uma livraria a sério é um pequeno pormenor que, quando corre bem (porque também há livreiros desprezíveis), torna diferente toda a experiência de comprar um livro. Para melhor.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Aula de 25/10

0. Abaixo de zero: os restos nas mesas da FCSH
1. Paul Ricoeur: filósofo do texto, da acção, do tempo
1.1. A acção como texto
1.2. Ler, editar o texto
2. Exercício: o ponto 5
2.1. Leitura por um colega macro
2.2. Leitura por um colega: micro
2.3. Atribuição de nota
3. Leituras e projecção
4.  Gordon Lish e Carver. Uma amostra médica aqui. Uma entrevista de Lish aqui.

TPC para daqui a 15 dias (9/11): fazer a contracapa de um livro imaginário ou real.

Publicar nunca foi tão fácil


terça-feira, 24 de outubro de 2017

Da distribuição

LIVROS ESGOTADOS
Cristina Carvalho (escritora)

É fácil, muito fácil dizer coisas que facilmente as pessoas acreditam. E acreditam porque não sabem o verdadeiro 'funcionamento' da coisa ou acreditam porque não desejam aprofundar a verosimilhança da conversa, talvez porque para si isso não tenha interesse nenhum.

Quando alguém me diz que um livro está esgotado em determinada livraria, numa ou em muitas, isso não quer dizer que o livro esteja esgotado porque vendeu imenso e já não há mais. Não! Isso quer dizer que o número de livros que essa livraria aceitou à consignação, quando ele saíu para o mercado, esses quantos livros que podem ter sido 10, 15, 20, 100 já foram vendidos OU já foram devolvidos à editora por não terem sido vendidos e, portanto, já não existem nas reservas das ditas livrarias.
Sendo assim, há duas hipóteses: ou os livreiros têm interesse em ter esse livro e então pedem mais exemplares à editora ou não têm interesse em ter esse livro e não pedem mais à editora.
Um livro só é considerado esgotado, regra geral, quando na editora não restam para venda mais do que 100 exemplares.
Aí, e se houver interesse de ambas as partes, faz-se uma outra edição e torna a ser distribuído pelas livrarias que o quiserem aceitar.

Agora, que é bombástico dizer que o livro está esgotado na livraria, isso é!
Só que isso, na verdade, não quer dizer nada. Se o livreiro quiser mais, pede à editora. Se a editora já não tiver, manda fazer mais porque a procura existe e isto é assim e nada mais.
O problema é outro.

Aula de 5ª 26: o plano

Nesta aula, vamos alterar a ordem dos trabalhos (para variar). Começamos por 'responder' às questões agendadas:

 5. O Caso da Ameaça Eletrônica
5.1. Do Bubble Gum ao Bubble Blog
5.2. Novos suportes, velhos importes
5.3. Um romance é igual à Enciclopédia Britânica?
5.4. Admirável mundo novo: ibuques, dibuques, amazonas

Depois, retornamos às questões do editing, e ao caso exemplar Raymond Carver/Gordon Lish. 

TPC para daqui a 15 dias (9/11): fazer a contracapa de um livro imaginário ou real.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

PROGRAMA 1/2 RESPONDIDO

Paulatinamente, vamos respondendo  às questões colocadas pelo programa. (Ou «respondendo», o que se calhar até é melhor.) Alguns alunos deram já respostas interessantes. Nesta entrada reproduzo o programa com a nota extra de inserir essas notas. É uma entrada do blogue em construção, por isso sugiro que a visitemos com alguma frequência, nem que seja para ver que um ponto ainda não foi respondido.

1. Um livro é um livro?
1.1. A perspectiva do autor
1.2. A perspectiva do editor
1.3. Outras: livreiro, distribuidor, Estado, media, leitor

2. A natureza da edição
2.1. Livro, jornal, revista – o que edissão
2.2. Coerência interna – a regra do jogo
2.3. Uma actividade comercial ou cultural? 

3. A casa

3.1. Pequeno grande editor: O caso da Relógio d’Água (Céu Coutinho)
 A Relógio d’Água é um exemplo de uma editora de média dimensão que se tem vindo a afirmar por um posicionamento que privilegia a qualidade literária. Apresenta um catálogo recheado de obras significativas, num equilíbrio interessante entre clássicos e novidades.
Tem uma comunicação sóbria e eficaz. Todos os dias marca presença nas redes sociais com conteúdos de grande valor, quer ao nível da informação, quer ao nível da comunicação, para usar a dictomia que o professor citou na aula.
Cada livro apresentado torna-se um objecto de desejo. A editora conseguiu criar e consolidar uma imagem de confiança, credibilidade, coerência e solidez. Cada lançamento ou nova edição confirmam as expectativas criadas no leitor.
A parte visual corrobora a excelência da linha editorial pois as capas e o grafismo das obras são sóbrios, elegantes e apelativos. Há uma forte evidência de bom gosto.
A recente aquisição dos direitos de reedição da obra de Agustina Bessa-Luís veio reforçar e coroar este posicionamento, elevando o prestígio da Relógio d’Água. Parece não só um exemplo paradigmático de como um autor pode conferir aura a uma editora, como também, acima de tudo, um encontro feliz que vem beneficiar os leitores e a literatura portuguesa.

Como nota adicional e paralela, parece-me oportuno mencionar a recente polémica que opôs o editor da Relógio d’Água, Francisco Vale, ao seu congénere da Gradiva, Guilherme Valente. A contenda materializou-se em dois ou três artigos de jornais e foi iniciada pelo editor da Gradiva que acusou a Relógio d’Água, entre outras críticas, da falta de uma linha editorial própria e de querer determinar gostos, proferindo ainda acusações de tom pessoal contra Francisco Vale. O visado respondeu de forma contida e sustentada, preservando assim a boa imagem e o bom nome da sua editora. O incidente contribuiu para reafirmar a Relógio d’Água como uma das editoras nacionais mais coerentes e confiáveis.

(Inês Fernandes)
Têm surgido nos últimos anos variadíssimas pequenas editoras. Editoras como a Chilly com Carne, Unipop ou as Edições antipáticas são marcadas por uma índole política carregada não só no que editam mas na forma como editam, rejeitando em parte o mercado tradicional. As próprias pessoas que colaboram com estas editoras fazem movimentos pendulares: ora chegam, ora vão. A constelação de pessoas é imensa (com um núcleo duro, claro) porque, querendo rejeitar a lógica capitalista do lucro, acreditam que ao contribuir para a edição destes títulos estão, no fim, a agir politicamente enquanto profissionais e ativistas. Os livros são vendidos em pequenas feiras, penetrando por vezes mercados mais abrangentes (lembro-me aqui do lançamento em plena Feira do Livro de “Anarco-queer? Queercore!” da Chilly com Carne) mas sempre com pouco sucesso comercial. Dentro desta constelação existem editoras – como as Edições Antipáticas – que têm todas as suas edições disponíveis online gratuitamente e que vendem os seus livros apenas como forma de ter contribuições para financiar edições futuras, se as pessoas assim o desejarem.

3.2. Marcar a diferença, conhecer o mercado (Catarina Gaspar)
Em Portugal, está visto que existem inúmeras editoras, umas de maiores dimensões, outras mais pequenas. As maiores, como a Porto Editora, publicam todo o tipo de livros, desde escolares a clássicos, de dicionários a literatura moderna, englobando habitualmente autores de renome em cada uma destas áreas. As mais pequenas parecem restringir-se a um número limitado de estilos ou a um só estilo destinado a um determinado público alvo. Isto faz todo o sentido, porque as grandes editoras têm um público garantido, por assim dizer, enquanto que as pequenas editoras têm de dar ao leitor um motivo para adquirir os seus livros, seja para apoiar uma certa ideologia representada pela editora, seja porque o leitor se identifica com a editora em termos de estilo pessoal pela sua irreverência, entre
outras razões. Por exemplo, faz sentido que um leitor feminista faça questão de comprar livros da editora Sibila para reforçar a defesa da sua causa.

3.3. Tradutor, revisor, designer, paginador, marqueteiro (Mara Quental)

Todas as casas têm um esqueleto, sem o qual não se mantêm de pé. Com as Editoras acontece o mesmo, sejam pequenas ou grandes.
Os tradutores, revisores, designers, paginadores, marqueteiros são o esqueleto de um Editora. São eles, ou, muitas vezes, é ele/a, que levam as Editora a bom-porto.
Se um livro estiver mal traduzido e revisto, provavelmente o leitor não o recomenda, ou recomenda mas na sua língua de origem. Se o design não for apelativo passa despercebido nas livrarias. Se a paginação não for bem feita, o livro pode não fazer sentido durante a leitura. Se o marqueteiro não fizer bem o seu trabalho, os livros não chegam a todos os locais de vendas.
Por isso, de que serve uma Editora ter muito dinheiro, se não for para ter um bom “esqueleto” a seu serviço?...

(Dália Rodrigues)
Todas estas posições incorrem no processo de edição e publicação de um livro e todas são igualmente necessárias. No entanto, a meu ver, podemos agrupá-las em duas categorias, que formam as duas grandes facetas do que é um livro: o abstrato - a história, a linguagem, etc. - e o concreto - a capa, as páginas, etc. -, ambos jogando com a beleza em diferentes vertentes. Esses dois grupos são, assim, quem vê o livro tendo em conta o seu conteúdo, focando-se na linguagem, no enredo, na estrutura linguística, etc. – os tradutores e revisores -, e quem vê o livro como um objeto, centrando-se na sua imagem e viagem física, espacial e temporal com pormenores que ajudam o autor no seu objetivo – o designer, o paginador e o marqueteiro. Este último tem a função de trazer o autor ao leitor com técnicas de marketing e entra na transformação do livro quando, através dos seus estudos de mercado, o marqueteiro prevê uma melhor publicidade do livro se mudar, por exemplo, a imagem de capa. 

3.4. Ciência, Arte, Lotaria – Racionalidade e Irracionalidade (Ana Cunha)
Como sabemos, os critérios de publicação de uma editora publicar são diversos, dependendo muito da editora que os publica e dos seus princípios editoriais, o seu mercado e o seu poder de alcance (desejado e real).
A questão, portanto, da racionalidade ou irracionalidade depende muito, portanto, de onde se coloca a tónica: É mais racional apostar em sucessos instantâneos e querer vender,  com maior força no aspeto comercial, ou será o racional apostar na qualidade do que se publica e na divulgação de novas obras que saem da banalidade literária?
Tomando o caso português, editoras como a Relógio d’Água apostam na edição de títulos clássicos da literatura mundial, uma aposta muito provavelmente deliberada para ganhar terreno de avanço nesse mercado) - ciência -. Já editoras como a Lado Esquerdo optam por vender, através da sua página de Facebook, livros de autores de poesia pouco conhecidas no mainstream, com pouca tiragem e de pouco alcance (também provavelmente por falta de possibilidade para mais)- arte - . Uma escolha mais romântica, se assim o pudermos chamar. A Assírio & Alvim tornaram-se um dos maiores nomes de edição de poesia em Portugal, enquanto a Chiado Editora publica todos os que puderem pagar, sem uma linha editorial aparentemente definida. Muitos dos livros que se tornam bestsellers parecem um pouco “caídos do acaso”, uma lotaria, portanto.

(Adriana Castro)
A arte de editar, em suas diferentes vertentes, caminha pari passu com a cultura e o comércio. Considerar essa assertiva significa dizer que transformar o conhecimento científico (ciência), consolidado através do tempo, em arte (materialização do conhecimento - científico ou mundano)  exige do profissional de edição boa dose de imparcialidade (racionalidade), já que os seus interesses pessoais ou comerciais (emoção x razão = ?, podendo chegar ao campo da irracionalidade) devem se manter distantes do produto final do seu trabalho.
Há de se considerar, ainda, outros partícipes desse “jogo”, que envolve desde o criador, o tradutor e o revisor ao consumidor. Todos os profissionais desempenham papel de relevância e, no entanto, nem sempre garantem o sucesso do produto, já que - não esqueçamos - trata-se de arte e, como toda arte, apresenta aspectos intangíves/subjetivos (lotaria).

4. O jogo dos papéis

4.1. O editing – prós e contras (Ana Cepeda Alves)
Dos prós
 Critério editorial aplicado ou aplicando-se. O editing servirá como filtro e teste de performance. O editor – o leitor primeiro, o leitor ideal da obra – lança sobre o texto todas as perguntas, emergentes ou urgentes, que poderão evidenciar a inteligência, clareza e estilo autoral da obra a publicar.

Um trabalho a sós e um trabalho de colaboração. Editor e autor convertem-se num binómio funcional. Nesse sentido, o risco não estará tanto em impor uma voz exterior, mas em não ouvir a voz do autor. Este será o esforço crítico do editor.

Poderá tambdevernizamentoento da omuns, da onvertem-se num  or outra, o risco ém olhar-se para o editing como um exercício de higiene literária. O varrimento de lugares comuns, a lixiviação de algum excesso descritivo, a necessária fricção das vozes passivas, o polimento da pontuação. Uma limpeza básica, porém necessária.

Dos contras                                                                          
O caso Malcolm Lowry é exemplar. A defesa que o autor fez da versão final da sua obra –  intocável – evocando a semelhança desta a uma sinfonia ou ópera, acabou por vencer as reservas da sua editora britânica –  Debaixo do Vulcão tornou-se um clássico da literatura mundial. Evidentemente o preço foi alto. Dez anos demorou Malcolm a chegar a esta versão, com o apoio da sua segunda mulher e primeiríssima editora. (Entrevendo os desregramentos do autor, foi obra.)

A intervenção do editing é, paradoxalmente, exemplar em Walter Benjamin. Sôfrego por ver a su’A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica traduzida e publicada em francês, assente num “branqueamento político do seu léxico”, que a posterior edição alemã, e póstuma publicação, voltará a repor, ainda mais manifestamente. Os dois editings refletem bem o poder da edição.

(Mara Quental)
O trabalho de editing tanto pode dar poder ao Editor como retirar qualquer autoridade que possa ter à partida. Em muitos casos é o Editor que detém a palavra sobre o que é editado e como, tendo mesmo o poder de escolher com quem quer trabalhar; noutros casos nem autoridade tem para mexer no manuscrito. É suposto o Editor ser invisível bem como todos os envolvidos no processo de edição, mas será essa invisibilidade justa para quem tanto trabalhou para o sucesso do livro (tal como o/a escritor/a)?...

(Ana Cunha)
É difícil, à primeira vista, nomear muitos contras de editar um texto. O maior contra que me vem à mente, e não no papel de editora mas sim no papel de quem é editado, é a mudança do “menino dos nosso olhos”, isto é, é particularmente difícil para um escritor colocar-se na posição de ter o seu texto alterado, em maior ou menor grau, dependendo talvez de/do orgulho do autor e do “sacrifício” por um texto melhorado. De facto, é essa a maior vantagem da edição, a possibilidade de corrigir não só problemas de escrita mas erros gramaticais, ortográficos e sintáticos, com um olhar mais treinado a esse tipo de pormenores e menos parcial (idealmente toda a edição melhora o texto). 

4.2. A edição crítica

4.3. Do filho de Eça de Queirós a Gordon Lish (Inês Fernandes)
Imagino que sejam muito poucos os livros que surjam no mercado sem interferência externa. O editor ou editora é apenas uma das muitas pessoas que editam cada livro (basta olhar para a secção de agradecimentos). Editar um livro é necessariamente alterá-lo, mesmo se por vezes se altere para pior: a partir do momento em que outra pessoa tem um input a dar o livro deixa de pertencer só a quem o escreveu. Esta linha de pensamento leva-me a pensar: será precisa uma aldeia para criar um livro? Quantas pessoas para lá do editor dão o seu feedback, quantas pessoas para lá deste dizem coisas como “olha lá, isto aqui não te parece um bocadinho estranho?” – e a coisa sai – ou “isto é brutal!” – e a coisa fica?

Habituei-me a ler secções de agradecimentos sem grande interesse enquanto a minha visão dispara para o nome de quem editou. Talvez seja uma prática a reconsiderar: talvez nos ajude a descobrir tanto os Lish como os filhos do Eça.

(Catarina Gaspar)
Ø Do filho de Eça de Queirós a Gordon Lish
Parece-me interessante esta questão de editores que, por produzirem edições póstumas, acabam por interferir com o texto mais do que seria expetável. Idealmente, o editor teria apenas de corrigir certos aspetos formais do texto original, mas facilmente conseguimos conceber indivíduos com uma grande capacidade em termos de imaginação, originalidade e até coerência na sucessão das ações, sem qualquer talento a nível do domínio da língua e da expressão escrita. Talvez um autor deste género tivesse sucesso na área do cinema, mas tendo este potencial sido encontrado por um editor após a morte da entidade criativa, dificilmente podemos contestar a alteração da obra em termos de estilo para um maior êxito a nível comercial, do qual depende sempre a vida do editor. Isto pode não correr bem em todos os casos, mas ambos os casos discutidos foram grandes sucessos e, caso não fossem, seria sempre o editor que teria de lidar com tal infortúnio, pois o pior que poderia acontecer ao falecido autor seria ter a sua memória manchada. De qualquer forma, ser um artista aclamado depois de morto não o beneficiaria muito.

5. O Caso da Ameaça Eletrônica
5.1. Do Bubble Gum ao Bubble Blog
5.2. Novos suportes, velhos importes

5.3. Um romance é igual à Enciclopédia Britânica? (Cláudia Amaral)
Cada livro é escrito com intenções diferentes. Um livro pode ser escrito para ajudar as pessoas a compreender assuntos que estas não dominam, como é o caso das enciclopédias, e podem também ser escritos simplesmente para entreter ou para contar histórias imaginadas, que é o caso dos romances.
            A edição destes livros vai ter em conta as suas funções. Uma enciclopédia vai precisar de mais páginas e imagens e vai ser impressa a cores, enquanto o romance pode só ter imagens na capa e pode ser impresso a preto e branco. É preciso ter em conta todas as características dos livros. Decidir se podem ser impressos em formato e livro de bolso ou não, em capa dura ou capa mole, se têm uma linguagem mais formal ou mais informal, entre outras características.
            Os dicionários são um bom exemplo deste tipo de decisões editoriais. Um dicionário vai ter sempre muitas páginas, uma linguagem formal e vai ser impresso a preto e branco mas, estilisticamente, podem ser tomadas diversas decisões. O dicionário pode ser impresso em capa mole ou em capa dura, pode ter versão de livro de bolso ou normal, e tudo isto depende da função que o editor tenha em consideração. Se for um dicionário pensado em crianças em idade escolar, talvez seja bom existir um dicionário de bolso com capa mole para poder ser transportado com facilidade. Por outro lado, se for um dicionário especializado em termos técnicos de uma determinada área, já poderá ser impresso em tamanho maior que o normal e em capa dura, não só para durar mais tempo como também para facilitar a sua consulta.

            Apesar de serem todos livros, têm intenções diferentes e, por isso, devem ser tratados de maneira diferente, tendo em atenção as suas necessidades e intenções.

(Ana Cunha)
A pergunta, levada literalmente, não fará muito sentido, ou melhor, terá uma resposta simples e curta. Claro que não são iguais ou teriam o mesmo nome; seriam os dois romances ou enciclopédias.
A verdade é esta: cada um serve o seu propósito literário (e de vida). Para alguns, não servirá propósito nenhum; para outros, um terá mais relevância no dia-a-dia do que o outro. Mas todo o texto contribui para o conhecimento e até entretenimento do seu leitor. A evolução do saber académico e geral dá-se graças aos dois tipos de publicação. 

5.4. Admirável mundo novo: ibuques, dibuques, amazonas (Catarina Gaspar)
É cada vez mais fácil fazer compras online, inclusive no que diz respeito a livros. Aqui há tempos conheci uma rapariga que só lia livros obtidos através da internet por preferir uma literatura alternativa maioritariamente de escritores amadores, embora com algum esforço também a pudesse encontrar em algumas livrarias. Talvez isto seja fruto de um erro das livrarias e/ou das editoras que não investem o suficiente em determinados tipos de literatura. Eu própria, quando considerei publicar um texto, encontrei mais facilidade em fazê-lo por meio da internet.
Este fenómeno literário emergente traz vantagens aos tais escritores amadores, quer através de lucro capital, de críticas construtivas à sua produção escrita ou de divulgação, e também ao ambiente, dado o gasto mais reduzido de recursos na publicação de um livro online em relação às edições em papel.
No entanto, produz menos lucro para as editoras, para as livrarias e para os escritores previamente publicados. Além disso, leva a um desprestígio do modo tradicional de leitura.

Ainda assim, creio que, enquanto houver um equilíbrio entre ambos os meios, as vantagens se sobrepõem vastamente.

(Dália Rodrigues)
Ouço há anos que os ebooks são o futuro e que os livros impressos vão deixar de existir. Penso que não. A satisfação de comprar um livro novo, a sensação de o folhear e a antecipação pela futura aventura que vou viver, nunca poderiam ser tão entusiasmantes com um livro digital. Porém, os ebooks têm a sua vantagem. Quando necessito de um manual para uma disciplina da faculdade prefiro tê-lo em formato digital no meu tablet em vez de andar carregada o dia todo. A Amazon também tem pontos positivos, mas a experiência de descobrir os tesouros escondidos duma alfarrabista não tem comparação com compras online.

6. Da edição amadora à edição profissional
6.1. Autor morto, autor posto
 6.2. O contrato do desenhador
6.3. Onde pára o livro?
6.4. Os novos marcadores: grandes grupos, escuteiros, marqueteiros

7. Os parceiros do livro
7.1. Livrarias, alfarrabistas, hipermercados
7.2. A feira permanente
7.3. Prémios literários, importações, exportações
7.4. O Estado, programas de apoio
7.5. Os órgãos de comunicação
7.6. A morte do artista

8. Estudos de caso 
8.1. Companhia das Letras: sete pecados capitais
8.2. O editor de actas
8.3. [A preencher quando soubermos o quê]
8.4. A Booktailors - Consultores Editoriais

9. O futuro do livro
9.1. Do livro electrónico
9.2. Do livro em papel
9.3. Os papéis do livro
9.4. Nada Tudo está por inventar

10. O que quero ler/editar?
10.1. Artesanato ou indústria?
10.2. Arte ou ciência?
10.3. Sonho lindo ou realidade deprimente?
10.4. Publicando the Great American Novel
10.5. O feiticeiro de Oz

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Poesia no Palácio: Carlos de Oliveira

Caros colegas e professor,
Recebi no e-mail este convite que vos poderá interessar (no entanto, não precisam de levar convite nenhum, a entrada é livre). Eu sei que é um pouco longe de Lisboa, mas para quem estiver interessado, aqui fica:

domingo, 15 de outubro de 2017

Lançamento de um livro curioso


Editores portugueses em Frankfurt

A pretexto da Catalunha, a jornalista Isabel Coutinho fez enfim uma peça de alto interesse para nós sobre a Frankfurt Buchmesse 2017. (O artigo sobre Dan Brown era interessante, mas hoje ele esteve em Lisboa.)


Na Feira do Livro de Frankfurt, com os olhos postos na Catalunha

Dez anos após ter sido a convidada de honra na feira alemã, a Catalunha, “terra de livros”, voltou a estar este ano no centro das discussões.  
Isabel Coutinho, Público 15/10/19. Aqui.

Ninguém escapou à situação que se vive na Catalunha durante a Feira do Livro de Frankfurt. Até Dan Brown, que aqui veio lançar o seu novo romance Origem(Bertrand), que se passa em Espanha, e designadamente naquela região, não conseguiu fugir ao assunto, que esteve também nas conversas entre editores, agentes literários, outros escritores e jornalistas.

Em Outubro de 2007, a cultura catalã foi o convidado de honra daquela que é a feira mais importante do sector. Com o slogan “Catalunha, terra de livros. Barcelona, cidade da Literatura” mostrou o seu poder económico e a sua força como centro do mercado editorial espanhol. Dez anos passaram, e nesta 69.ª edição da Feira do Livro de Frankfurt, que termina este domingo, a Catalunha voltou a estar na ribalta por causa da situação política em Espanha e da votação pela independência no passado dia 1 de Outubro.

“Dialogue, not violence” é a mensagem que se lê no pin que muitos dos editores portugueses trazem nos seus casacos quando entram no pavilhão de Portugal, mesmo ao lado da Federación de Gremios de Editores de España.

Um pouco mais à frente, já depois dos stands da Anagrama ou da Tusquets, chega-se ao pavilhão da Generalitat e do Ayuntamiento de Barcelona com o slogan “Catalonia, Land of Books. Barcelona, city of Literature”. Foi ali que na quinta-feira foi lançado um Manifesto sobre a situação na Catalunha, assinado pela associação de editores em língua catalã, onde defendem que “a diversidade nacional cultural e linguística é inerente à condição humana”, que a diversidade resulta em diferenças e que são elas que dão saúde a uma sociedade plural.

“No entanto, quando as diferenças levam ao conflito, precisam de ser resolvidas de uma maneira pacífica através do diálogo, a ferramenta mais poderosa que temos para chegar ao entendimento e à harmonia”, escrevem num texto que condena também a acção repressiva e violenta ordenada pelo governo espanhol sobre a população civil no dia do referendo.

Barcelona foi sempre a sede de grandes grupos editoriais, como a Penguin Random House Grupo Editorial, da Bertelsmann (o quarto mais importante grupo editorial no ranking mundial) ou a Planeta (o sétimo grupo editorial a nível mundial). É também em Barcelona que estão muitas das agências literárias com quem mais lidam os editores portugueses, entre as quais aquela que é a mais importante para o mercado hispano-americano, a que foi criada por Carmen Balcells (1930-2015), bem como a agência Pontas, da agente literária Anna Soler-Pont, ou a MB Agencia Literaria, de Mónica Martín.

Joana Neves, editora na Bertrand lembra que o pin onde se lê “Diálogo, não violência” foi uma iniciativa de vários agentes e editores. “É um gesto simbólico, com um certo valor”. Os pins estão em cima das mesas na sala dos agentes e quem quiser pega num e pergunta do que se trata. Esta é uma feira por onde passam pessoas do mundo inteiro e nem todos estão tão informados como os portugueses sobre a situação.

“Quem vem a uma feira do livro acaba por testemunhar quase lateralmente o que está a acontecer no mundo. Estávamos cá em 2001, depois do 11 de Setembro quando começaram aliás todas estas medidas de segurança. Na Feira do Livro de Londres falou-se do 'Brexit'. Acabamos por testemunhar e conviver lateralmente com estes grandes acontecimentos em convívio profissional, que passa também pela amizade”, diz. “A grande maioria dos catalães que conheço, antes do 1 de Outubro eram anti-independência. Muitos dos que votaram sim, continuam a ser contra a independência, por paradoxal que possa parecer. A questão é que o voto foi usado como um protesto contra o autoritarismo do PP. Isto traz muitos fantasmas. É complicado”.

José Prata, da Lua do Papel, uma das editoras do grupo Leya, enquanto corre de uma reunião para outra com o pin catalão no casaco, diz ao PÚBLICO que sentiu que a maior parte dos agentes catalães se esforçavam por manter uma posição de neutralidade para não ferirem susceptibilidades. Mas estão todos de acordo que “o processo só vai acarretar prejuízos independentemente do desenlace. É como se o mal já tivesse sido feito”, explica. “Como se já se tivesse iniciado um processo de 'Brexit'. Mesmo que nunca venha a haver o 'Brexit' deixará sempre marcas e essas marcas serão sempre negativas para o negócio também”. Lembrou o caso de uma agente literária americana, com passaporte inglês, que estava muito contente porque se tinha mudado há pouco para Barcelona por causa do "Brexit". Agora sente que em Barcelona poderá vir a ter os problemas que teria se estivesse em Inglaterra, fora da união europeia.

“Se a independência for para a frente, vai fechar-se o mercado”, diz por sua vez Cláudia Gomes, da Porto Editora. A maior parte dos agentes a quem os portugueses compram livros são catalães. “A maioria das pessoas com quem falei não estão a favor da independência, mas estão revoltados com o governo espanhol. Vejo que estão todos muito tristes”, acrescenta.

Carlos Veiga Ferreira, da Teodolito, que sempre publicou autores espanhóis e que encontrou muitos dos seus amigos catalães nesta feira percebe que  estão dividos “metade, metade", com "uma parte grande independentista e outra parte que está muito preocupada mas não é independentista, embora também esteja furiosa com o governo espanhol pela maneira como tem reagido a tudo isto”.

Juan Mera, desde há muitos anos director da Planeta Portugal, confirmou ao PÚBLICO que já está decidido pelo grupo editorial espanhol que o conselho de administração vai mudar a sua sede fiscal de Barcelona para Madrid, mas para já nada mais sairá da Catalunha, aliás o prémio literário que detém será lá atribuído este domingo.

No entanto, Carlos Veiga Ferreira, que em Novembro irá publicar o mais recente livro de Enrique Vila-Matas, Mac y su contratiempo – o autor irá a Lisboa fazer um lançamento do livro –, notou nas conversas com os colegas espanhóis muita preocupação quanto ao futuro económico. “Nas relações com os agentes catalães eles estão bastante tranquilos, estão mais incomodados com o que pode acontecer do ponto de vista da venda de livros na Catalunha porque há muito medo de uma crise económica grande”.

Numa reunião que os responsáveis dos stands nacionais de países de língua espanhola, francesa e portuguesa tiveram com o director da feira, Jürgen Boos, os representantes de Espanha alertaram para o facto de nos últimos dois anos terem conseguido ultrapassar a crise e o mercado da venda do livro ter voltado a crescer mas, nas últimas semanas, ter havido uma estagnação nas vendas. Todos se perguntam sobre qual será o verdadeiro impacto desta situação política. “Espanha é um dos países para onde Portugal mais exporta em geral, e efeitos no consumo privado espanhol poderão ter efeitos colaterais na economia portuguesa”, diz ao PÚBLICO o secretário-geral da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, Bruno Pires Pacheco, que participou nessa reunião.

Guilhermina Gomes, editora do Círculo de Leitores e da editora Temas e Debates, por sua vez, viu “um enorme sofrimento” nas agentes literárias catalãs que estão “mais do que preocupadas, estão inquietas”, diz mostrando o seu pinno casaco. “Sinto-o como uma espécie de enorme humilhação e só peço e desejo que pelo menos a autonomia seja reconquistada porque não creio que mais nada possa ser feito depois de se ter chegado a esta situação tão complicada e impositiva da parte do Governo central”.

Comprou e irá publicar, do historiador Simon Schama, The Return of the Tribes, que se poderá vir a chamar em português O Regresso do Tribalismo, e lembra que também Mario Vargas Llosa falava disto, da Catalunha como se fosse uma tribo. “Ainda não pensei sobre as implicações para o mundo editorial, nem sequer falámos disso, porque as pessoas estão muito preocupadas com os seus quotidianos, mas ainda não se está a abordar a situação da edição. E a possível deslocalização [das sedes] não significa nenhuma perda significativa em termos funcionais, agora é claro que em termos de verba para a própria Catalunha, claro que muda”, diz a editora Guilhermina Gomes.

“Com isto, os agentes literários que estão em Madrid, que há poucos, mas há, podem ganhar mais força”, analisa Cláudia Gomes. “A maior parte dos livros estrangeiros que nós compramos, compramos através de agentes em Espanha que não detêm os direitos para a língua inglesa, mas representam os livros na negociação para Espanha, Portugal, Itália, Grécia. Todos sabemos que Barcelona é um pouco o centro cultural de Espanha e podem ficar mais isolados.” Mas a editora deixa no ar uma esperança: "Talvez possam aparecer mais algumas pessoas em Portugal a fazer este trabalho; porque não?”


sábado, 14 de outubro de 2017

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Frankfurt Buchmesse 1997 – Dario Fo

DARIO FO (1926-2016)
Em 1997, estava Saramago à frente nas apostas das corridas de cavalos-escritores, a academia sueca tirou Dario Fo da cartola. Amigo de Saramago, ele desculpou-se com um largo sorriso: «José, estou triste por ti, mas tão tão contente por mim!» Saramago sorriu também, embora não conseguisse esconder que estava magoadito. Mas não conseguia zangar-se com Dario Fo. Eram amigos. Outros (muitos muitos muitos) zangavam-se com Dario Fo, chamavam-no de palhaço para baixo, demagogo de esquerda, trapalhão, pouco sério. etc. E desses Dario Fo até suspeitaria estar fazendo algo mal se o apreciassem. Nobelizado, não mudou o rumo. Foi feira de Frankfurt fora cumprimentando toda a gente, seguido dois metros atrás por uma estranha e sorridente personagem: uma freira, daquelas de que tu tanto gostas, Stacey. Enfim, quase: Franca Rame (1929-2013), com quem partilhou vida, palco e humor danado durante 59 anos, mascarada de freira e agradecendo de palmas das mãos juntas a Graça Concedida. É uma imagem que não esqueço: a lata, a suprema lata dos Fo! E a não-cedência, nem quando coroados. Por geração, e pela Itália onde viveram, eram alegre e desmazeladamente anti-clericais. Estou curioso de ver o que o Papa Francisco dirá hoje. Talvez «Perdi um amigo?»
A Cornucópia teve em cena Não se paga! Não se paga! em 1981.

Exercício descomplicante

Ontem, comentando os exercícios, falámos de raspão sobre pequenos vícios de linguagem que facilmente corrigimos eventualmente numa leitura. (E está frase anterior bem precisada está disso.) ((E esta quoque.))

O exercício proposto é simples: sem pressão, sem esforço, encontrar uma frase – uma passagem – num texto qualquer – que possa ser simplificada.
E fazê-lo.

Exemplo:







quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Aula de 12/10: ponto 3 - a casa editorial

1. O modelo comunicação vs. informação. Prosa vs. Poesia. 'Conteúdo' vs. 'Forma'
2. Fernão Mendes Pinto e Salman Rushdie
3. A Feira de Frankfurt: esta semana e um episódio com José «Viva o Benfica» Saramago em 1998
4. Três casas: Melhoramentos, Companhia das Letras, Chili Com Carne
5. Exercício 6 (em aula): um pequeno ensaio sobre um ponto do ponto 3
6. Comentário aos três primeiros exercícios (ver entrada anterior)







O que é um editor? (3 de 5 exercícios da primeira aula)

O que é um editor?
  1. ·         É alguém que, profissionalmente, revê uma obra literária (ou não) e corrige-a a nível ortográfico e sintático, sem interferir com o conteúdo da mesma. (Lídia Mestre)
  2. ·         [Carlos Jesus absteve-se]
  3. ·         Uma pessoa que trabalha, ou até não, em qualquer ramo relacionado com a escrita, isto é, poderá ir para editoras, como para redacções de jornais lidos diariamente pela população (entre outros), sempre com o principal objectivo – a edição de texto que, posteriormente, poderá ser publicado. (Sónia Arcângelo)
  4. ·         Um editor é alguém que se certifica que determinado texto está escrito corretamente e que se responsabiliza pelo mesmo, no caso dos livros ou jornais, quanto à sua apresentação (Cláudia Amaral)
  5. ·         Editor é o profissional responsável por fazer uma abordagem crítica de um produto antes que ele saia do domínio do escritor. (Adriana Castro)
  6. ·         É o profissional responsável pela melhoria de um texto para que chegue ao público. (Natália Calderón)
  7. ·         Um editor é a entidade responsável pela forma como um texto chega ao público. (Catarina Gaspar)
  8. ·         É a pessoa responsável pela ‘materialização’ de um livro. Tem responsabilidades perante o escritor, ao ajudar na passagem de um livro de rascunho a manuscrito, e perante a chancela, ao transformar o livro em produto para consumo. (Inês Fernandes)
  9. ·         O editor pode estar encarregado de todo o processo de montagem e criação de um livro até à sua publicação. Aquele que edita. (Diogo Quintino)
  10. ·         Um editor é uma pessoa que trabalha na ´rea da edição ou num sector editorial. Pode trabalhar para uma editora de livros, para um jornal, revista, etc. O editor tem um papel fundamental no processo de criação do livro. (Catarina Mendonça)
  11. ·         Alguém que perpetuamente (?) lê, relê e analisa criticamente um original. (Lúcia Tomás)
  12. ·         É um leitor, um avaliador, um conselheiro. (Inês Marques)
  13. ·         Um editor é a pessoa responsável pela preparação da publicação de um livro, um artigo ou uma obra. (Rita Costa)
  14. ·         Um editor é alguém quem “escolhe” o que é editado, numa editora ou numa revista ou num jornal. (Mara Quental)
  15. ·         Por um editor passam os manuscritos de obras e a um editor cabe o processo de organização de um livro até à sua publicação, ou o de artigos em jornais ou revistas, etc. (Dália Rodrigues)
  16. ·         Um editor é geralmente um profissional que trabalha numa editora ou redação, e que trabalha o texto como produto final. (Ana Cunha)
  17. ·         Um editor é alguém que tem como ocupação profissional editar. Editar, é, tão importante quanto escrever ou rever um texto, livro ou qualquer outra obra de arte. O editor desempenha funções que, na sua grande maioria, são desconhecidas do público em geral mas que são vitais na publicação de algo, seja o que for. (Mónia Pereira)
  18. ·         É um mediador, um profissional que faz a ponte entre o autor e o leitor. (Céu Coutinho)
  19. ·         Alguém que acompanha o processo de desenvolvimento de um texto, preparando-o para a publicação. (Mónica Martins)
  20. ·         Um editor é a pessoa que trabalha com um autor de forma a “melhorar” uma obra. Isto pode acontecer em vários aspectos como a nível de markting ou do conteúdo, por exemplo. Quando é uma obra proveniente de outro país, o editor escolhe quais os melhores livros para serem traduzidos, baseando esta escolha no mercado do país de destino ou no sucesso que esse livro teve anteriormente. (Cláudia Crespo)
  21. ·         É uma pessoa que trabalha com o autor com o objectivo de melhorar a sua obra, providenciando uma perspectiva externa e, por norma, mais imparcial da mesma. (Maria Teixeira Pinto) 


O que faz um editor?
  1. ·         Para além de rever a ortografia e a sintaxe, o editor também trabalha a nível da capa e do seu design. (LM)
  2. ·         Um editor, para além de editar um texto, comunica e troca ideias com o autor, durante o processo de concepção de um texto. (Carlos Jesus)
  3. ·         Um editor poderá seguir uma das vertentes mais valorizadas deste «ramo» - a de editar um determinado texto. Poderá, também, realizar outros trabalhos relacionados com a edição das páginas e com o conteúdo do texto pretendido.
  4. ·         O editor é a pessoa que se encarrega de um texto escrito por outra pessoa e lhe dá forma. É o editor que faz a ponte entre o autor e o revisor, caso seja necessário, é ele quem determina o orçamento estipulado para os textos e quem se certifica de que tudo corre conforme planeado (CA)
  5. ·         Propõe alterações (quando necessárias) em um produto, a fim de o tornar profissional. (AC)
  6. ·         O editor propõe mudanças e melhorias ao texto, considerando uma série de fatores como o público, o estilo próprio do escritor etc. (NC)
  7. ·         Um editor estabelece a ligação entre o produtor de um texto e respectivo público e retifica, nos aspetos devidos e convenientes, esse mesmo texto. (CG)
  8. ·         Muitas vezes é quem oferece contrato a um/a autor/a. Acompanha todo o processo de revisão e de solidificação do texto, tem palavra a nível da imagem do livro, pode ser responsável em parte pela forma como o livro é apresentado, fazendo contactos e dando a obra a ser conhecida. (IF)
  9. ·         O editor trabalha um texto, imagem de forma a que se torne num produto final pronto para ser publicado. Para além disso, nalguns casos, coordena os trabalhos das pessoas encarregues pelas diferentes passos deste processo (DQ)
  10. ·         Para além de editar, o editor tem de fazer também uma seleção do trabalho a editar e publicar, um acompanhamento ao trabalho do autor, a revisão e acompanhamento da mesma ao texto do autor. Algumas editoras planeiam e organizam a promoção do livro (outro) publicado, entre outros de eventos de publicidade ao autor. (CM)
  11. ·         Depende: escolhas, literatura, edições gerais, baú do Pessoa. Leitura, revisão, análise crítica de um original. (LT)
  12. ·         Lê, analisa, enquadra. Deixa-se envolver num texto, dá um passo atrás e debruça-se novamente sobre o mesmo com um novo olhar mais crítico, procurando o potencial existente e os pontos fracos. Perspectiva o texto tanto na posição do leitor como de profissional. Ajuda a organizar e estruturar, a dar forma ao trabalho no caminho que o material em bruto toma para se tornar o produto final. (IM)
  13. ·         Um editor faz a capa e contracapa de um livro, a paginação, verifica as margens e verifica o texto, se está bem traduzido, se falta alguma parte. (RC)
  14. ·         O editor, para além de “escolher” o que é editado, também dirige todo o processo da edição. O escritor, o tradutor, o revisor, etc. (MQ)
  15. ·         O editor gere o processo e as outras funções necessárias à edição de qualquer trabalho. É ele também que toma as decisões finais de layout, entre outras, no produto final. (DR)
  16. ·         Um editor analisa um texto em vários aspetos e o trata a nível gramatical, ortográfico , de coesão e coerência, para ser publicado posteriormente. Na maioria das vezes não é função do editor mexer no conteúdo criativo, a não ser que haja incoerência despropositada ou falta de coerência.  (AC)
  17. ·         Ainda não consigo descrever com precisão, contudo conto fazê-lo no final deste semestre e, quem sabe, por em prática as funções que dizem respeito a um editor. (MP)
  18. ·         Lê, seleciona, faz recomendações, correcções, pode sugerir caminhos ao autor. Estuda o mercado literário, as tendências, a evolução, as lacunas, etc. (CC)
  19. ·         O editor lê e prepara o texto para a publicação, sugerindo alterações que considera necessárias, tanto na forma como no conteúdo. (MM)
  20. ·         O editor toma decisões a nível do tipo de capa, tipo de letra, enquadramento, de acordo com o que considera melhor. Normalmente estas decisões baseiam-se no mercado para qual o livro se destina. (CC2)
  21. ·         Lê, relê, revê, corrige, sugere modificações ao trabalho do autor. É quem colabora com o autor relativamente às decisões relativamente ao produto final. (MTP)


O que é editar?
  1. ·         Editar é certificar que o conteúdo não é modificado, mas envolve a correção e a transformação de uma história/crónica/poemas numa publicação oficial. Editar é tornar mais definida a obra e ajustá-la para que possa estar literária e sintaticamente correta de acordo com os padrões. (LM)
  2. ·         Editar é transformar (através da correcção, elaboração, repartição) um texto desde a sua concepção até ao momento em que ele se torna um objecto físico ou digital. (CJ)
  3. ·         Editar um texto (SA)
  4. ·         Editar é corrigir um texto sem que este perca a sua essência; é conseguir manipular um texto de outra pessoa, mantendo a visão da mesma; é conseguir transmitir a visão do autor e transformá-la em algo físico. (CA)
  5. ·         Tornar um produto amador em algo que atenda às exigências profissionais da teoria da edição. (AC)
  6. ·         Editar é ligar um texto a um público, buscando oferecê-lo da melhor maneira possível. (NC)
  7. ·         Editar é garantir ao público leitor um determinado nível de qualidade e permitir a expressão a um nível alargado por parte do escritor. (CG)
  8. ·         Editar é todo o processo pelo qual um livro se torna ele próprio. Vai desde o aconselhamento quanto à construção da história até à decisão acerca da imagem da capa, da gramagem do papel (tarefas normalmente desempenhadas por duas pessoas distintas). (IF)
  9. ·         Editar é montar, cortar e criar determinados elementos, que podem ser texto ou não. (DQ)
  10. ·         Editar trata-se da análise ao texto e de uma profunda seleção do que fica e do que vai. Trata-se de uma triagem (por vezes de acordo com as vontades do mercado) aos textos recebiudos e depois da análise e seleção dos mesmos. O processo de edição também pressupõe uma análise a nível gramatical. (CM)
  11. ·         (Difícil entender a Lúcia Tomás)
  12. ·         (Inês Marques respondeu junto com a anterior.)
  13. ·         Editar é preparar um livro ou texto para ser publicado. Editar é fazer a revisão do texto e corrigir ou alterar a parte estética. (RC)
  14. ·         Editar consiste em tornar público o trabalho, seja um livro, um jornal ou uma revista. (MQ)
  15. ·         Editar consiste em tornar o manuscrito inicial em algo apelativo ao público, passando por várias etapas como reescrever certas partes, mudr aspectos visuais, etc. (DR)
  16. ·         É analisar um texto a nível sintático, gramatical, a nível da coerência e coesão e dotar o texto com o mínimo de alterações subjectivas possíveis. (AC)
  17. ·         Editar é arte. É magia. É criação. É juntar as peças de um puzzle. (MP)
  18. ·         Editar é tornar apto para publicação. Tratar um conteúdo de forma a adaptá-lo ao canal, ao público, ao meio a que se destina. (CC)
  19. ·         Editar é ler um texto e tentar perceber como é que este pode ser melhorado, perceber qual o objectivo que o texto pretende alcançar e trabalhar nesse sentido. (MM)
  20. ·         Editar é trabalhar com uma obra traduzida ou com um autor em fase de produção e perceber qual é o objectivo e o público alvo. Então, é aí que as decisões são tomadas a nível da capa, letra, paginação e até divisão da obra em volumes. (CC2)
  21. ·         É trabalhar com uma obra, de modo a trazer ao seu consumidor final, a versão da mesma que mais claramente transmite a intenção do autor. (MTP)



Criptomanias (para nos irmos entretendo): 

O sistema S.I.M. 
A aranha no centro da teia.
Croupier.
o produto final no embrião.
PP-P-PP
Calendário

Um mapa bidimensional para um mundo tridimensional. (Mais a 4ª dimensão, a mais importante). 

Foi engano, o anúncio do exame.

Blog errado. Exame para licenciatura.