quinta-feira, 15 de março de 2018

Mais um título malcriado

«Romance político-policial, polvilhado por cenas eróticas, literárias e gastronómicas, com bastas incursões na infância do protagonista, Søren Constantius, filho de mãe boliviana e de pai dinamarquês, trinta e cinco anos, um metro e noventa e quatro, potencial filósofo, literato ocasional, cozinheiro e gastrónomo reconhecido, amante prolífico e agente de segunda classe da Brigada Judiciária.
Algures no Sul da Europa: com prostitutas especialistas em Sade, jornalistas de bandulho cocainómano, russos mafiosos e russos mortos, mulheres assassinadas, estudantes especialistas em expedientes mais ou menos filosóficos, sucateiros, detectives deficientes cardíacos, chefs de culinária popular, bêbados, boys, homens de mão, e um Primeiro-Ministro colérico e corrupto. Etc.» Aqui.

Livros para crianças procuram-se

Maria do Rosário Pedreira responde no seu blogue a Felisbela Lobes que assina no JN um artigo sobre a dificuldade de encontrar bons livros para crianças. MRP contesta: «Ora, se existe área ou faixa etária em que o desenvolvimento editorial é notório nos últimos anos é justamente a literatura infanto-juvenil, com títulos e editoras premiados internacionalmente em festivais e uma produção com uma qualidade incrível, seja em termos de texto, seja em termos de ilustração, em que muitos nomes se destacam (Catarina Sobral, Madalena Matoso, Paulo Galindro, Sérgio Letria, o meu querido João Fazenda, tantos, mas tantos).» Na foto: Colecção O Estranhão, de Álvaro Magalhães que o meu filho de 8 anos devorou em poucos meses.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Algum uso de malcriadices em títulos

1) Miguel Esteves Cardoso. Aqui.
2) Um bonito livro «para crianças» sobre a importância de irem dormir. Aqui.
3) Um simpático manual de auto-ajuda. Aqui.


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Wook.pt - A Arte Subtil de Saber Dizer Que Se F*da


segunda-feira, 12 de março de 2018

Lost in translation é favor

«Em 1968 e 1969, A Brincadeira foi traduzida em todas as línguas ocidentais. Mas, quantas surpresas! Em França, o tradutor reescreveu o romance ornamentando o meu estilo. Na Inglaterra, o editor cortou todas as passagens em que se fazem reflexões, eliminou os capítulos musicológicos, mudou a ordem das partes, recompôs o romance. Outro país. Encontro o meu tradutor. Não conhece uma palavra de checo. “Como é que traduziu?” Ele responde: “Com o meu coração”, e mostra-me a minha fotografia que tira da carteira. (…) Outro país: traduziram do checo. Abro o livro e dou, por acaso, com o monólogo de Helena. As longas frases que, no meu livro ocupam um parágrafo inteiro, estão divididas numa quantidade de frases simples… O choque causado pelas traduções de A Brincadeira marcou-me para sempre.»
A Arte do Romance, Milan Kundera, p. 151

sexta-feira, 9 de março de 2018

Este livro não é do Norte

Por acaso até é. É do Norte da Europa (Suécia). Mas estou a rever a tradução que foi feita por um tradutor do Norte de Portugal. 'Quarto de banho', 'aloquete', 'aguça', 'encorrilha', 'à minha beira' são algumas das expressões que encontrei que denunciam a origem nortenha do tradutor. Estou a assinalar e a mudar para as expressões correspondentes mais correntes ('casa de banho', 'cadeado', 'afia-lápis, 'vinco', 'ao pé de mim').

Guerra aos livros

«Tanto livro, tanto livro, mas a maior parte do património literário está completamente ausente da edição e, ainda mais, das livrarias. Podemos dizer que os livros gozam hoje de um prestígio que, na generalidade, já não merecem; e que não há maior injustiça do que o triunfo deste canibalismo do lixo editorial que, ainda por cima, se alimenta do capital simbólico daqueles que ele devora. » António Guerreiro, O saudável ódio aos livros, Ipsilon, 9/3/2018 

quarta-feira, 7 de março de 2018

A propósito de tradução


Hoje aqui no trabalho recebemos a visita de um importante tradutor do russo para o português, António Pescada. Aqui está uma entrevista com mais de dez anos mas que mantém actualidade.

"Qual o problema mais complicado de resolver? [sobre a tradução de Anna Karénina]

Há uma parte em que Lévin está com os camponeses. Está a olhá-los e o que nos é dado é a descrição daquilo que ele vê. Se traduzirmos directamente fica uma coisa tão embrulhada que é impossível perceber. Dei não sei quantas voltas ao texto e só na revisão resolvi a tradução. Tive de "simplificar" o português para que se percebesse." Ler aqui.

Outra entrevista mais recente com o mesmo tradutor aqui.

Foi engano, o anúncio do exame.

Blog errado. Exame para licenciatura.