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sábado, 30 de dezembro de 2017
O falar de ouvido
O mais interessante para mim neste texto é, além de se tratar de um teaser disfarçado de reportagem, a voz do jornalista ir variando, passando da dúvida (não leu) à certeza (não há dúvida) e como, sem reparar, vai aderindo e tornando suas ideias que... enfim, não são suas - porque nitidamente ainda não leu. Aqui não se trata de avaliar a qualidade do livro (de facto tem tido boas críticas no mundo anglo-saxónico e, como acontece todas as temporadas, esse mundo poderoso impô-lo ao mundo como a nova novidade, ao contrário dos desgraçados autores, editores e agentes literários romenos, quirguízios ou finlandeses, que não têm esse poder. Ou seja, o facto de o livro poder ser bom (repito: não é isso que está em causa) não pode ser confundido com a questão essencial: a reprodução, num jornal português, de um vício de forma contido na adesão cega às Hollywoods do Livro.
Dois romances devastadores prometem deixar marcas

O desconhecido Gabriel Tallent vai revelar-se aos leitores portugueses
Não faltam novidades literárias para chegar às livrarias na primeira metade do ano, estando confirmados vários romances de autores portugueses. O destaque, no entanto, vai para dois grandes romances estrangeiros - ainda se desconhece a temática do novo de Lídia Jorge: os livros de Gabriel Tallent e de Fernando Aramburu
O título português de My Absolute Darlingjá está escolhido: O Meu Amor Absoluto. É o romance de estreia de Gabriel Tallent, um autor mundialmente desconhecido mas que na rentrée literária norte-americana apareceu com o grande romance entre as novidades apresentadas. A editora Relógio d"Água comprou os direitos para Portugal e em fevereiro o seu valor literário já pode ser conferido pelos leitores. [Comentário: não estamos fartos de que o «grande romance em destaque seja americano?]
Contrariamente a outros fenómenos de literatura fabricados pelas grandes editoras, tudo indica que O Meu Amor Absoluto não se fique pela propaganda, pois quem já o leu na edição inglesa - a Portugal chegaram alguns poucos exemplares - considera estar-se perante uma grande obra. Seja a nível de violência emocional, suportada por uma narrativa excelente, seja pela forma como o relato vai crescendo e confronta o leitor com um drama impiedoso numa história em que um pai transforma a sua filha a seu bel-prazer. Turtle é uma menina que aos seis anos recebe a primeira arma de presente e aos 14 tem muito melhor pontaria que notas escolares. Martin é um pai que prepara a filha contra todos os males do mundo, infligindo-lhe outros, como o abuso sexual.
[Comentário: «contrariamente a outros fenómenos porquê?]
Não se vai contar mais da história mas sim a do livro, sobre o qual no final de agosto a crítica do The New York Times dizia ser "um romance de estreia que desce à escuridão" e garantia que, num "mundo literário muitas vezes claustrofóbico, Tallent parece ter chegado [aos 30 anos] já formado". Entre os elementos biográficos, destaca-se a tradicional história do escritor esforçado que serve à mesa de restaurantes para pagar as contas e vive no interior até ao momento em que consegue vender o seu original à editora Riverhead em 2015. Nada disto importa, pois o romance ultrapassa todos os fait-divers montados para o promover. [Comentário: como sabe?]
Se a opinião da crítica é unânime, editores de todo o mundo têm feito fila para o ter no seu catálogo. É o caso de Francisco Vale, que espera uma boa receção ao livro: "Merece-o, mesmo que saiba que no caso da primeira obra a descoberta pelos leitores será provavelmente lenta e dependente da atenção dos críticos." Considera que O Meu Amor Absoluto "põe à prova as características dos leitores, pois só os melhores serão capazes de vencer a dificuldade inicial criada por descrições violentas. O tema do tratamento brutal de uma adolescente de 14 anos e a relação sexualizada que o pai lhe impõe não é um tema fácil. Mas Tallent transformou esse tema em excelente literatura".
[Não entendo: ser capaz de de ver descrições de violência é a marca dos bons leitores? A mim parece teaser disfarçado: «Olhem que vai haver sexo & violência!»]
Para o editor da Relógio d"Água, este primeiro livro de Gabriel Tallent é a revelação de um "grande autor", tanto pela escrita como pelo facto de ter "arriscado num tema difícil e sempre próximo do abismo". Francisco Vale alerta para o facto de nunca se saber se "uma excelente estreia será confirmada, mas o que se vê é a capacidade inicial de criar uma personagem notável, ameaçada pelo amor asfixiante do pai, que vive em perigo constante, mas nunca apresentada com uma rapariga passiva e inocente". (...)
[É bom dar a palavra ao editor. Os editores ficam sempre gratos. Mas o que queria o jornalista que o editor dissesse? Que ia publicar um péssimo livro com um tema banal e escrita medíocre?]
O resto do artigo, após esta entrada americana em grande, segue aqui:
Dois romances devastadores prometem deixar marcas
O desconhecido Gabriel Tallent vai revelar-se aos leitores portugueses
Não faltam novidades literárias para chegar às livrarias na primeira metade do ano, estando confirmados vários romances de autores portugueses. O destaque, no entanto, vai para dois grandes romances estrangeiros - ainda se desconhece a temática do novo de Lídia Jorge: os livros de Gabriel Tallent e de Fernando Aramburu
O título português de My Absolute Darlingjá está escolhido: O Meu Amor Absoluto. É o romance de estreia de Gabriel Tallent, um autor mundialmente desconhecido mas que na rentrée literária norte-americana apareceu com o grande romance entre as novidades apresentadas. A editora Relógio d"Água comprou os direitos para Portugal e em fevereiro o seu valor literário já pode ser conferido pelos leitores. [Comentário: não estamos fartos de que o «grande romance em destaque seja americano?]
Contrariamente a outros fenómenos de literatura fabricados pelas grandes editoras, tudo indica que O Meu Amor Absoluto não se fique pela propaganda, pois quem já o leu na edição inglesa - a Portugal chegaram alguns poucos exemplares - considera estar-se perante uma grande obra. Seja a nível de violência emocional, suportada por uma narrativa excelente, seja pela forma como o relato vai crescendo e confronta o leitor com um drama impiedoso numa história em que um pai transforma a sua filha a seu bel-prazer. Turtle é uma menina que aos seis anos recebe a primeira arma de presente e aos 14 tem muito melhor pontaria que notas escolares. Martin é um pai que prepara a filha contra todos os males do mundo, infligindo-lhe outros, como o abuso sexual.
[Comentário: «contrariamente a outros fenómenos porquê?]
Não se vai contar mais da história mas sim a do livro, sobre o qual no final de agosto a crítica do The New York Times dizia ser "um romance de estreia que desce à escuridão" e garantia que, num "mundo literário muitas vezes claustrofóbico, Tallent parece ter chegado [aos 30 anos] já formado". Entre os elementos biográficos, destaca-se a tradicional história do escritor esforçado que serve à mesa de restaurantes para pagar as contas e vive no interior até ao momento em que consegue vender o seu original à editora Riverhead em 2015. Nada disto importa, pois o romance ultrapassa todos os fait-divers montados para o promover. [Comentário: como sabe?]
Se a opinião da crítica é unânime, editores de todo o mundo têm feito fila para o ter no seu catálogo. É o caso de Francisco Vale, que espera uma boa receção ao livro: "Merece-o, mesmo que saiba que no caso da primeira obra a descoberta pelos leitores será provavelmente lenta e dependente da atenção dos críticos." Considera que O Meu Amor Absoluto "põe à prova as características dos leitores, pois só os melhores serão capazes de vencer a dificuldade inicial criada por descrições violentas. O tema do tratamento brutal de uma adolescente de 14 anos e a relação sexualizada que o pai lhe impõe não é um tema fácil. Mas Tallent transformou esse tema em excelente literatura".
[Não entendo: ser capaz de de ver descrições de violência é a marca dos bons leitores? A mim parece teaser disfarçado: «Olhem que vai haver sexo & violência!»]
Para o editor da Relógio d"Água, este primeiro livro de Gabriel Tallent é a revelação de um "grande autor", tanto pela escrita como pelo facto de ter "arriscado num tema difícil e sempre próximo do abismo". Francisco Vale alerta para o facto de nunca se saber se "uma excelente estreia será confirmada, mas o que se vê é a capacidade inicial de criar uma personagem notável, ameaçada pelo amor asfixiante do pai, que vive em perigo constante, mas nunca apresentada com uma rapariga passiva e inocente". (...)
[É bom dar a palavra ao editor. Os editores ficam sempre gratos. Mas o que queria o jornalista que o editor dissesse? Que ia publicar um péssimo livro com um tema banal e escrita medíocre?]
O resto do artigo, após esta entrada americana em grande, segue aqui:
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
Clara Pinto Correia
Não dei conta que CPC tinha lançado um novo livro (em final de Outubro). Soube hoje pela crítica na Visão, assinada por Luís Almeida Martins. Vou à procura de mais informação, não encontro outras críticas. Apenas constato que o livro foi apresentado na FNAC Chiado por...Luís Almeida Martins. Suponho que a escritora ainda esteja a ser castigada pela história do plágio. Gostei muito do Adeus, Princesa (1986), acho que foi um livro importante na altura. A comunicação deste novo livro (primeiro volume de uma trilogia) é bastante kitsch.




Ensina-me a Voar Sobre os Telhados
É o título do próximo romance de João Tordo, a lançar em Março de 2018 pela Companhia das Letras. Este lançamento leva a Visão a incluir o "prolífico" escritor (42 anos, dez romances publicados) na sua lista de 12 figuras nacionais para 2018 na área da cultura (Vamos ouvir falar deles, Visão, 28/12/2017). É o único escritor da lista.
João Pedro George
De rir à gargalhada, este livro. Reencontrei-o numa gaveta e estou a reler os textos, agora à luz da minha nova condição de estudante de Edição. É uma maravilha. Infelizmente, a crónica que queria partilhar não está disponível online, mas fica a dica. Chama-se 'Editoras e Publicidade'.
«Há uma coisa no mundo editorial que sempre me fez confusão: a publicidade. Se repararem, a publicidade das editoras é de uma pobreza confrangedora. É inepta e incompetente. Comedida.» (p.78) E vai por aí fora. O texto tem 10 anos ou mais, já não será bem assim mas a graça e a ironia não se perderam.
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
O trabalho árduo de um editor

Comprei, há pouco tempo, uma compilação
de short fiction de Virginia Woolf, A Haunted House: The Complete Shorter
Fiction, da Vintage Classics e editado por Susan Dick. Achei, desde logo,
interessante o facto de o nome da editora se encontrar na capa, visto ser uma
das grandes académicas sobre Woolf. Ainda mais interessante foi o deparar-me
com muito mais do que uma coletânea de textos.
O livro inicia-se com uma introdução de
Helen Simpson, autora britânica, que faz uma curta análise de Virginia Woolf, o
seu estilo, a sua bibliografia, faz comparações com outros autores e a relação
de Woolf com as pequenas histórias e os romances. De seguida, a editora
apresenta-nos a sua própria introdução, onde explica a seleção dos textos e
outras escolhas que teve de fazer, como a ordem pela qual se encontram e o
efeito que quis transmitir.
A editora descreve ainda os processos
editoriais (Editorial Procedures) da
compilação. Clarifica quais dos textos são reimpressões e quais são inéditos,
explicando que obteve os rascunhos de Woolf e que o processo editorial passou
por comparar os textos já publicados com os manuscritos da autora. Para além de
mostrar alguns exemplos de diferenças entre ambos e as supostas revisões da
autora, Susan Dick avisa o leitor de que existem manuscritos de Woolf que não
foram revistos pela escritora, pelo que assim foram publicadas nesta coletânea.
Fala também de compilações prévias dos textos de Woolf, nomeadamente a que foi
publicada pelo marido, e assinala ainda as revisões que este também fazia nos
manuscritos de Virginia Woolf e como, nestes casos, a editora escolheu apenas
as revisões da escritora, dizendo terem mais autoridade.
Em termos linguísticos, Dick explica as
mudanças que efetuou: adicionou aspas, vírgulas, apóstrofes, hífens e
parêntesis onde achou apropriado, ou seja, onde não fazia parte do estilo de
Woolf, corrigiu erros de impressão, não colocou passagens cortadas e escreveu
por extenso abreviaturas e contrações. Em cada modificação da editora, esta
coloca-a entre parêntesis retos, acompanhando-a de uma nota explicativa. No
entanto, apesar das mudanças assinaladas, Susan Dick não mexeu na pontuação
quando esta provoca qualquer efeito sobre a história. Todas estas alterações
parecem-me ser apenas possíveis e concretizáveis por alguém que estude Virginia
Woolf durante anos e saiba exatamente o que pertence ao seu estilo.
O livro contém ainda, no final – e isto
é explicado também nos processos editoriais –, a presença de apêndices e notas
para quem desejar estudar os manuscritos e revisões de Woolf, onde incorporou
também elementos biográficos que a editora tenha encontrado relacionadas com
cada história.
Esta coletânea é um daqueles exemplos de
trabalho árduo e extensivo por parte dos editores que o fazem mais por gosto e
dedicação ao seu trabalho do que por dinheiro (apesar de, provavelmente,
Virginia Woolf ainda vender muito bem).
terça-feira, 26 de dezembro de 2017
Diogo Vaz Pinto, ainda os Cem Poemas
«Não vale a pena determo-nos aqui em miudezas. Para isso já Luís Miguel Queirós veio com o seu escalpelo mostrar as incoerências, fragilidades e gralhas, notando até que “a capa não faria má figura num prospecto da secção de frutas e legumes do Continente”. Mas não vai mais longe, e até a legitima. Além das diplomáticas três estrelas – isto para ninguém se chatear –, ajuda-a a atravessar a passadeira, dando-a como objecto digno de análise à lupa e faz-lhe o favor de não ver o que há nela de mais insinuante: o seu despudorado oportunismo comercial, a banalidade dos seus méritos, o vazio crítico de uma proposta que, dizendo recusar “cânones académicos e os espartilhos da notoriedade”, se auto-promove como “uma leitura incontida e luminosa do panorama poético português para fruir sem constrangimentos”, patati patatá. Sem constrangimentos!? No meio de tanto golpe publicitário é difícil perceber o que sobrevive a todos os constrangimentos com que esta antologia sufoca a poesia e, na verdade, o mais triste é dar-mo-nos conta de que toda uma geração se mostra tão dócil ao ponto de se deixar arregimentar nestes esquemas publicitários.»
Texto completo aqui.
JMS sobre a crítica de LMQ aqui.
A minha questão: é assim tão errado lançar um volume comercial, com um título evidentemente demagógico? Que mal tem se 'Os Cem Melhores Poemas Portugueses dos Últimos Cem Anos' se vender bem, sobretudo entre os não-leitores de poesia? Não é melhor ler alguma poesia (e apesar de tudo com algum critério) do que poesia nenhuma?
O fim de um mundo (para mim, o fim do mundo)
Recebi hoje, 26/12, este mail:
Bom dia,
Agora que passou o Natal, voltemos aos livros da Quetzal.
A Quetzal Editores e a Livraria Ler Devagar convidam-na(o) para um encontro com Jorge Carrión, o autor de «Livrarias - Uma história de paixão, comércio e melancolia», um dos bons livros de 2017 - uma viagem à volta do mundo para conhecer as melhores livrarias de todos os continentes.
José Pinho e Francisco José Viegas apresentarão o autor.
A sessão terá lugar no dia 3 de janeiro, às 18h30, na Livraria Ler devagar, na Lx Factory, em Lisboa.
Contamos consigo.
Muito obrigada,
Quetzal Editores
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
De livraria a editora
O curioso caso da portuense Flanêur, de Cátia Monteiro e Arnaldo Vila Pouca. Uma livraria fundada em 2015 que acaba de se tornar também editora.
Alquimia na Av. de Roma
No Centro Comercial Roma. Engraçado como os centros comerciais antigos têm algum prestígio, pela patine. Colombo, Vasco da Gama, Dolce Vita são não-lugares. CC Roma, Apolo 70, Imaviz e até o Fonte Nova, em Benfica, exercem algum fascínio.
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
Cat Person
Esta história é muito curiosa. Começa com um conto online que se torna viral e já vai em contratos milionários.
O conto original aqui. Avalanche de artigos sobre o assunto. The Guardian, Folha de S. Paulo, e muitos outros.
O conto original aqui. Avalanche de artigos sobre o assunto. The Guardian, Folha de S. Paulo, e muitos outros.
Um plano editorial para 2018
Boa tarde.
Anexamos um doc. com a nossa programação para 2018 (sujeita a alterações).
Disponíveis para fornecer pormenores sobre alguns dos nossos livros/autores.
Anexamos igualmente a lista dos livros que publicámos este ano.
Muito obrigado.
Cordialmente,
Carlos Alberto Machado, editor
Quatro volumes para 2018:
- POESIA: Poesia I (1916-1940)
- TEATRO E FICÇÃO:
Amor de Nunca Mais (1920) – Teatro
Paço do Milhafre (1924)
- CRÓNICA E DIÁRIO:
Ondas Médias (1945)
O Segredo de Ouro Preto (1954)
- ENSAIO E CRÍTICA:
Sob os Signos de Agora (1932)
Conhecimento de Poesia (1958)
Elogio Histórico de Júlio Dantas (1965)
E mais 25 títulos:
Álamo Oliveira: Até hoje. Memórias de cão (ficção) [OBRAS COMPLETAS DO AUTOR]
Álamo Oliveira: Burra preta com uma lágrima (ficção) [OBRAS COMPLETAS DO AUTOR]
Alexandre Sarrazola: Smalloch (ficção)
Ana Vitorino e Carlos Costa: título a definir (teatro)
Carlos Alberto Machado: Hotel dos Inocentes (ficção)
Carlos Alberto Machado: Puta de Filosofia (ficção)
Carlos J. Pessoa: Mundo Antigo (teatro)
Carlos J. Pessoa: Três textos excêntricos (teatro)
Fernando Machado Silva: Um espelho para reproduzir as mutações da vida (poesia)
Gisela Canãmero: Um mosquito num voo baixo (poesia)
Inês Lourenço: Novas Ephemeras (micro-histórias poéticas)
João Urbano: O caso salvaterra (ficção)
Jorge Aguiar Oliveira: Pena de Morte (poesia)
Jorge Fazenda Lourenço: Azares da poesia (ensaio e poesia)
José Martins Garcia: Alecrim, Alecrim aos Molhos (ficção) [OBRAS COMPLETAS DO AUTOR]
José Martins Garcia: Memória da Terra (ficção) [OBRAS COMPLETAS DO AUTOR]
José Martins Garcia: Poesia reunida [OBRAS COMPLETAS DO AUTOR]
José Viale Moutinho: A pessoa indicada (poesia)
Laurinda C. Andrade: A porta aberta (memórias)
Manuel Tomás: Falquejando os dias (poesia)
Maria Brandão: Corpo triplicado (ficção)
Mário Moura: ensaio, com título a definir
Nuno Dempster: Há rios que não desaguam a jusante (ficção)
Ramiro S. Osório: Ao largo de Delos (poesia)
Rui Pina Coelho: Este título não que é muito longo (teatro)
Anexamos um doc. com a nossa programação para 2018 (sujeita a alterações).
Disponíveis para fornecer pormenores sobre alguns dos nossos livros/autores.
Anexamos igualmente a lista dos livros que publicámos este ano.
Muito obrigado.
Cordialmente,
Carlos Alberto Machado, editor
COMPANHIA DAS ILHAS
Plano editorial para 2018
DESTAQUE:
Obras Completas de Vitorino Nemésio, em parceria exclusiva com a Imprensa Nacional-Casa
da Moeda. Direcção científica do Professor Luiz Fagundes Duarte (Universidade
Nova de Lisboa)
Quatro volumes para 2018:
- POESIA: Poesia I (1916-1940)
- TEATRO E FICÇÃO:
Amor de Nunca Mais (1920) – Teatro
Paço do Milhafre (1924)
- CRÓNICA E DIÁRIO:
Ondas Médias (1945)
O Segredo de Ouro Preto (1954)
- ENSAIO E CRÍTICA:
Sob os Signos de Agora (1932)
Conhecimento de Poesia (1958)
Elogio Histórico de Júlio Dantas (1965)
E mais 25 títulos:
Álamo Oliveira: Até hoje. Memórias de cão (ficção) [OBRAS COMPLETAS DO AUTOR]
Álamo Oliveira: Burra preta com uma lágrima (ficção) [OBRAS COMPLETAS DO AUTOR]
Alexandre Sarrazola: Smalloch (ficção)
Ana Vitorino e Carlos Costa: título a definir (teatro)
Carlos Alberto Machado: Hotel dos Inocentes (ficção)
Carlos Alberto Machado: Puta de Filosofia (ficção)
Carlos J. Pessoa: Mundo Antigo (teatro)
Carlos J. Pessoa: Três textos excêntricos (teatro)
Fernando Machado Silva: Um espelho para reproduzir as mutações da vida (poesia)
Gisela Canãmero: Um mosquito num voo baixo (poesia)
Inês Lourenço: Novas Ephemeras (micro-histórias poéticas)
João Urbano: O caso salvaterra (ficção)
Jorge Aguiar Oliveira: Pena de Morte (poesia)
Jorge Fazenda Lourenço: Azares da poesia (ensaio e poesia)
José Martins Garcia: Alecrim, Alecrim aos Molhos (ficção) [OBRAS COMPLETAS DO AUTOR]
José Martins Garcia: Memória da Terra (ficção) [OBRAS COMPLETAS DO AUTOR]
José Martins Garcia: Poesia reunida [OBRAS COMPLETAS DO AUTOR]
José Viale Moutinho: A pessoa indicada (poesia)
Laurinda C. Andrade: A porta aberta (memórias)
Manuel Tomás: Falquejando os dias (poesia)
Maria Brandão: Corpo triplicado (ficção)
Mário Moura: ensaio, com título a definir
Nuno Dempster: Há rios que não desaguam a jusante (ficção)
Ramiro S. Osório: Ao largo de Delos (poesia)
Rui Pina Coelho: Este título não que é muito longo (teatro)
A última paixão de Fernando Pessoa
Grande título.
Reproduzido pelo Observador a propósito deste artigo da revista Pessoa Plural.
Resumo
Ofélia Queiroz é geralmente apontada como o único amor da vida de Fernando Pessoa. Todavia, em 1935, ano da sua morte, Pessoa escreveu em várias línguas um número invulgar de poemas de amor na primeira pessoa, incluindo versos denotando intensa paixão. Esse facto levou Ángel Crespo em 1989 a formular a hipótese de Pessoa ter morrido profundamente apaixonado por uma mulher misteriosa, sobre cuja identidade nunca conseguiu dados plausíveis. Este artigo apresenta uma hipótese de identificação do alvo dessa paixão tardia de Pessoa, partindo da análise de vários dos seus poemas de amor de 1935 e de algumas cartas, até hoje desconhecidas, trocadas no mesmo ano entre ele e Madge Anderson, uma inglesa que visitou repetidamente Portugal a partir de 1929. Madge era irmã de Eileen, que por sua vez era a cunhada de Pessoa, casada com o seu meio-irmão João Maria Nogueira Rosa (ou John).
Reproduzido pelo Observador a propósito deste artigo da revista Pessoa Plural.
Resumo
Ofélia Queiroz é geralmente apontada como o único amor da vida de Fernando Pessoa. Todavia, em 1935, ano da sua morte, Pessoa escreveu em várias línguas um número invulgar de poemas de amor na primeira pessoa, incluindo versos denotando intensa paixão. Esse facto levou Ángel Crespo em 1989 a formular a hipótese de Pessoa ter morrido profundamente apaixonado por uma mulher misteriosa, sobre cuja identidade nunca conseguiu dados plausíveis. Este artigo apresenta uma hipótese de identificação do alvo dessa paixão tardia de Pessoa, partindo da análise de vários dos seus poemas de amor de 1935 e de algumas cartas, até hoje desconhecidas, trocadas no mesmo ano entre ele e Madge Anderson, uma inglesa que visitou repetidamente Portugal a partir de 1929. Madge era irmã de Eileen, que por sua vez era a cunhada de Pessoa, casada com o seu meio-irmão João Maria Nogueira Rosa (ou John).
Editar Sylvia Plath. E sobreviver.
"Foi em 1994, a minha namorada deixou-me e em consequência disso fui frequentar aulas de poesia. Lemos Lady Lazarus, Daddy e muitos outros poemas. Fiquei muito interessado em Plath e pedi ao meu professor mais informação; ele disse-me que não queria que eu lesse Plath. Nunca me deu uma razão, mas um dia um amigo levou-me à biblioteca e mostrou-me mais obras e quanto mais lia mais interessado eu ficava no trabalho e na vida dela. Lembro-me de muitos amigos me dizerem que isso era uma fase pela qual todos passavam. Já estou nessa fase há muito tempo, há 23 anos. Nunca pensei, é mais de metade da minha vida." - Peter K. Steinberg
Artigo de Isabel Lucas no Ipsilon de 16/12/17
quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
A "nossa" conferência
terça-feira, 19 de dezembro de 2017
JMS
Um testemunho de grande interesse para nós, parece-me.
José Mário Silva em comentário à crítica de Luís Miguel Queirós, no Ípsilon do Público.
Não dá para linkar, coloco aqui o texto integral.
Não há maior felicidade, para um autor, do que ler no jornal uma crítica intelectualmente honesta ao seu trabalho. Só posso por isso agradecer publicamente ao Luís Miguel Queirós pelo magnífico texto que dedicou, na última edição do suplemento 'ípsilon', à antologia de poesia "Os Cem Melhores Poemas Portugueses dos Últimos Cem Anos", que eu organizei e a Companhia das Letras publicou. Acompanho o percurso do LMQ e leio os seus artigos há muitos anos, por isso sei que ele é provavelmente quem melhor conhece a poesia portuguesa, no universo exíguo das pessoas que escrevem sobre poesia na imprensa. Ao ver que se lançou à tarefa de analisar a antologia, num espaço generoso (mais de 6000 caracteres), esperei um veredicto eventualmente duro, mas construtivo. E não me desiludi. Uma a uma, apontou as fragilidades e incongruências, sem subterfúgios mas também sem crueldade. Limitou-se a escrever o que pensa sobre o livro em si, não sobre a pessoa que o organizou, e esse gesto saudável, que devia ser a regra básica do diálogo intelectual, é tão raro que merece ser elogiado.
Confesso que fiquei contente por LMQ ter gostado da minha lista de 100 poetas. Foi um dos aspectos do trabalho em que mais procurei um equilíbrio entre a objectividade da perspectiva histórica e a necessária audácia subjectiva do gosto pessoal. Já a perplexidade do crítico diante de algumas das minhas escolhas de poemas, não só a compreendo como a esperava.
Uma vez que são levantadas algumas dúvidas sobre autores ausentes, aproveito para as esclarecer aqui. A exclusão de Mário de Sá-Carneiro não está de facto suficientemente explicada, porque faltou sublinhar uma das restrições: a de escolher poetas que tivessem morrido nos últimos 100 anos. Como é evidente, foi essa a única razão para deixar de fora um poeta tão genial. E se é verdade que Alberto Caeiro morreu em 1915, sabemos bem que o verdadeiro autor dos poemas só morreu em 1935. No caso de Joaquim Manuel Magalhães e João Miguel Fernandes Jorge, a ausência explica-se pela recusa dos próprios, não só legítima como previsível. O mesmo aconteceu com António Franco Alexandre.
Dito isto, os reparos que mais me custaram foram os relativos às gralhas e erros de revisão. Custaram-me por serem justos. E por serem culpa minha. Devido aos meus atrasos no processo de escolha e organização, a fase final de provas do livro teve de ser acelerada. O trabalho essencial de verificação minuciosa de cada página, de cotejar verso a verso, de leitura e releitura obsessiva das referências bibliográficas, acabou sacrificado pela urgência. Disso me penitencio amargamente, até porque costumo ser obsessivo nesse labor quando trabalho semanalmente os textos dos outros. Em casa de ferreiro, espeto de pau. Mas o pau magoa (e não é pouco). A minha única esperança, neste momento, é que o livro chegue a uma segunda edição, para que o possa expurgar de todos esses defeitos que me entristecem e assombram.
José Mário Silva, 19/12/2017
Nota: o texto está publicado na página de facebook do autor. Interessante ler também comentários de escritores e outros ao post.
José Mário Silva em comentário à crítica de Luís Miguel Queirós, no Ípsilon do Público.
Não dá para linkar, coloco aqui o texto integral.
Não há maior felicidade, para um autor, do que ler no jornal uma crítica intelectualmente honesta ao seu trabalho. Só posso por isso agradecer publicamente ao Luís Miguel Queirós pelo magnífico texto que dedicou, na última edição do suplemento 'ípsilon', à antologia de poesia "Os Cem Melhores Poemas Portugueses dos Últimos Cem Anos", que eu organizei e a Companhia das Letras publicou. Acompanho o percurso do LMQ e leio os seus artigos há muitos anos, por isso sei que ele é provavelmente quem melhor conhece a poesia portuguesa, no universo exíguo das pessoas que escrevem sobre poesia na imprensa. Ao ver que se lançou à tarefa de analisar a antologia, num espaço generoso (mais de 6000 caracteres), esperei um veredicto eventualmente duro, mas construtivo. E não me desiludi. Uma a uma, apontou as fragilidades e incongruências, sem subterfúgios mas também sem crueldade. Limitou-se a escrever o que pensa sobre o livro em si, não sobre a pessoa que o organizou, e esse gesto saudável, que devia ser a regra básica do diálogo intelectual, é tão raro que merece ser elogiado.
Confesso que fiquei contente por LMQ ter gostado da minha lista de 100 poetas. Foi um dos aspectos do trabalho em que mais procurei um equilíbrio entre a objectividade da perspectiva histórica e a necessária audácia subjectiva do gosto pessoal. Já a perplexidade do crítico diante de algumas das minhas escolhas de poemas, não só a compreendo como a esperava.
Uma vez que são levantadas algumas dúvidas sobre autores ausentes, aproveito para as esclarecer aqui. A exclusão de Mário de Sá-Carneiro não está de facto suficientemente explicada, porque faltou sublinhar uma das restrições: a de escolher poetas que tivessem morrido nos últimos 100 anos. Como é evidente, foi essa a única razão para deixar de fora um poeta tão genial. E se é verdade que Alberto Caeiro morreu em 1915, sabemos bem que o verdadeiro autor dos poemas só morreu em 1935. No caso de Joaquim Manuel Magalhães e João Miguel Fernandes Jorge, a ausência explica-se pela recusa dos próprios, não só legítima como previsível. O mesmo aconteceu com António Franco Alexandre.
Dito isto, os reparos que mais me custaram foram os relativos às gralhas e erros de revisão. Custaram-me por serem justos. E por serem culpa minha. Devido aos meus atrasos no processo de escolha e organização, a fase final de provas do livro teve de ser acelerada. O trabalho essencial de verificação minuciosa de cada página, de cotejar verso a verso, de leitura e releitura obsessiva das referências bibliográficas, acabou sacrificado pela urgência. Disso me penitencio amargamente, até porque costumo ser obsessivo nesse labor quando trabalho semanalmente os textos dos outros. Em casa de ferreiro, espeto de pau. Mas o pau magoa (e não é pouco). A minha única esperança, neste momento, é que o livro chegue a uma segunda edição, para que o possa expurgar de todos esses defeitos que me entristecem e assombram.
José Mário Silva, 19/12/2017
Nota: o texto está publicado na página de facebook do autor. Interessante ler também comentários de escritores e outros ao post.
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
Boletim
A E-Primatur não envia a plebeia newsletter mas sim o aristocrático boletim. A comunicação tem um ar retro e a assinatura é distinta: os Editores.
domingo, 17 de dezembro de 2017
Comeback natalício
Pedro Paixão entrevistado por Joana Emídio Marques, com o pretexto, entre outros, da existência de um novo livro (Lembra-me de mim). Mas, de facto, o autor nunca deixou de publicar (25 livros em 25 anos). Simplesmente, desapareceu do radar, saiu de moda, passou a ser gentilmente ignorado. Muito interessante e nostálgica a entrevista. Vai vender alguns exemplares.
sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
45 livros
Não é um número redondo nem muito habitual nestas listas que costumam preferir quantidades mais "cabalísticas" como 25, 30 ou 50. Mas foi o número a que a Visão chegou, vá-se lá saber porquê. Estes são os 45 livros de 2017 que vale a pena ler.
Quem o FEIO ama
FEIO – Festa de Escritas, Improvisos e Oralidades. Um evento do livro (e não é o único, este fim-de-semana está pejado de actividades literárias) quase em cima do Natal.
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
Masterclass: com o editor João Concha
Por Céu Coutinho
Edição independente – editar nas margens e nos interstícios
João Concha propõe como ponto de partida para a aula o
termo edição independente. O que é, ao certo, uma editora independente? É uma
editora situada à margem dos grandes grupos que, de alguma forma, produz
objectos diferentes. A (não) edições nasceu em 2012 e começou a publicar em
2013, na maré das novas casas editoriais que surgiram em reacção à
concentração editorial. É um projecto estruturado por colecções, com uma linha
editorial muito vincada para cada uma.
As Colecções
A conversa prosseguiu com a apresentação das colecções
da (não) edições. A Colecção 32 edita poesia em livrinhos muito breves,
de apenas 32 páginas. O nome vem da noção de folio que é uma espécie de unidade
mínima do livro. Para a composição do livro o número de páginas tem de ser
múltiplo de quatro. Dá-se o nome de folio ao conjunto de 32 páginas. A forma
ajusta-se perfeitamente ao conteúdo já que permite apresentar o trabalho de
poetas de uma forma breve e a um preço acessível.
É importante que cada colecção tenha uma linha
estética ou gráfica reconhecível. Na edição é tão importante o que se edita
quanto o modo como se edita. Editar é mostrar o conteúdo sob uma
determinada forma. Passa pela paginação (tipo de letra, espaçamento, etc.) mas
também pode envolver a discussão do texto com o autor. No caso da poesia,
decidir, por exemplo, qual deve ser o primeiro poema a apresentar (e o último).
Uma editora pode dedicar-se somente a um género ou a
vários. Mas tem de haver coerência. A (não) edições pretende mostrar a poesia
sob diversas formas. A Colecção Traditore é dedicada à poesia ou prosa
poética traduzida. A edição de um texto traduzido envolve vários aspectos
específicos como os direitos de autor, a vontade da editora e do próprio autor
em ver o texto traduzido num determinado idioma. Aqui entram em jogo, em muitos
casos, as agências literárias que gerem direitos de autor relativos a outras
formas que o livro pode assumir, sejam traduções sejam adaptações ao cinema,
por exemplo. Foi referido o exemplo do livro da Patti Smith (O Mar de Coral).
Dentro de cada colecção podem ainda existir núcleos
editoriais. A existência de denominadores comuns é o que define um núcleo. Por
exemplo, reunir autores conhecidos noutras áreas (música, cinema, etc.) que
também escrevem poesia ou prosa poética. A identidade deve ser reconhecível
para lá da linguagem verbal. Editar é também ajudar a ler, dar pistas sobre o
livro, fornecer um contexto ou um enquadramento.
A Colecção Cénicas reúne textos de teatro,
sejam peças ou outros textos relacionados com teatro. Mariana Pineda, de
Frederico Garcia Lorca, é a publicação mais recente. A Colecção Alice é
dirigida a crianças (designação que o editor prefere ao termo infantil) e os
três livros editados estão esgotados. Não são feitas reedições devido aos
custos elevados. De notar que a (não) edições trabalha com tiragens pequenas,
entre 150 e 200 exemplares.
Isto encaminhou a conversa para os tipos de impressão,
nomeadamente o exemplo de um tipo de impressão ecológica, a risografia. Foram
ainda mencionadas questões práticas relativas ao ISBN e ao Depósito Legal. Esta parte
da aula culminou com uma visita aos elementos do livro: capa, contra-capa,
guardas, ficha técnica, folha de rosto, miolo, cólofon.
Chegar aos leitores
Em resposta a uma questão relativa à comunicação das
pequenas editoras, João Concha referiu a newsletter e o press release
como duas ferramentas básicas para comunicar a vida da editora. Outras são as
redes sociais, os lançamentos e apresentações, as leituras, as feiras e
festivais.
Um papel de relevo no circuito da comunicação e
divulgação está reservado às livrarias independentes. Reafirmou-se o surgimento
de um circuito paralelo de lugares alternativos (editoras, livrarias, eventos)
como reacção à concentração dos grandes grupos editoriais.
João Concha mantém a firme crença de que o futuro está
nas editoras independentes. Encontram caminhos alternativos, constituem
uma via desimpedida tanto para autores como para leitores. Foi
mencionado o exemplo recente do Festival Silêncio que tem um espaço
inteiramente dedicado às editoras independentes.
Recepção / crítica e distribuição
A concluir, discutiram-se duas grandes fragilidades do
circuito da edição independente. Em primeiro lugar, a falta de espaços nos
meios de comunicação para a crítica, sobretudo a crítica especializada. O que
subsiste são textos que não chegam a ultrapassar a mera sinopse ou o comentário
pouco informado.
Por fim, a distribuição. O aspecto mais frágil da
cadeia do livro, do mercado editorial, desde a insolvência da Sodilivros (em
2012). O seu desaparecimento veio prejudicar seriamente as pequenas editoras.
No caso da (não) edições a distribuição é assegurada pelo próprio editor que se
encarrega se entregar os livros pessoalmente, no caso das livrarias de Lisboa,
ou de fazer o envio pelo correio, para os pontos de venda mais distantes.
Uma vez que este editor é também autor, ilustrador e designer,
entre outras facetas, é curioso assinalar que estamos em presença de uma
verdadeira editora one man show.
quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
Uma aventura curiosa. E, sim, tem a ver com Teresa Horta
«Um excerto de Le Palace, romance da autoria do falecido escritor francês Claude Simon, Prémio Nobel da Literatura em 1985, foi recusado por 19 editoras, depois de um fã do autor, Serge Volle, ter enviado 50 páginas da obra originalmente publicada em 1962.
(...)
Le Palace conta uma história desenrolada durante a Guerra Civil Espanhola, na qual Simon participou, e cujas cenas são descritas pormenorizadamente no livro. Segundo cita o The Guardian, Volle disse à rádio pública francesa, na segunda-feira, que a obra foi criticada por ter “frases extremamente longas” que “perdem completamente o leitor”. As editoras não pouparam nas críticas e, numa carta de rejeição, argumenta-se que o livro não tinha “um verdadeiro enredo com personagens bem concebidas”. Ao todo, 12 editoras rejeitaram o livro e sete nem chegaram a responder a Volle.
Público, 13/12/17. Ler aqui.
(...)
Le Palace conta uma história desenrolada durante a Guerra Civil Espanhola, na qual Simon participou, e cujas cenas são descritas pormenorizadamente no livro. Segundo cita o The Guardian, Volle disse à rádio pública francesa, na segunda-feira, que a obra foi criticada por ter “frases extremamente longas” que “perdem completamente o leitor”. As editoras não pouparam nas críticas e, numa carta de rejeição, argumenta-se que o livro não tinha “um verdadeiro enredo com personagens bem concebidas”. Ao todo, 12 editoras rejeitaram o livro e sete nem chegaram a responder a Volle.
Público, 13/12/17. Ler aqui.
Três escolhas de um livreiro
Convidado do último Biblioteca de Bolso
O convidado desta semana é Jaime Bulhosa. Lisboeta, nascido em 1964, sempre viveu e trabalhou entre livros. Com os irmãos, fundou a Bulhosa Livreiros, mas o projecto que o tornou conhecido dos bibliófilos foi a Pó dos Livros, a livraria independente que fundou há dez anos, com Isabel Nogueira, e que mantém, apesar das dificuldades contínuas do mercado livreiro.
Trouxe-nos:
Crime e Castigo - Fiódor Dostoievski
Uma História da Leitura - Alberto Manguel
Sapiens - História Breve da Humanidade - Yuval Harari
terça-feira, 12 de dezembro de 2017
Que blogues recomendam (literários e afins)?
Os que costumo ler:
Da Literatura
Horas Extraordinárias
Deus Me Livro
Letra Pequena
(Estes dois já não têm actualizações recentes)
Caldeirão Voltaire
Bibliotecário de Babel
Este Natal ofereça livros (e mais livros)
Os jornais, revistas e blogues desdobram-se em sugestões de livros para o Natal.
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/este-natal-ofereca-livros-1-9716142
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/este-natal-ofereca-livros-2-9716925
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/este-natal-ofereca-livros-3-9738617
http://observador.pt/opiniao/livros-para-o-natal-i/
https://www.delas.pt/15-livros-que-nao-vai-querer-perder-este-natal/
http://www.e-konomista.pt/artigo/livros-para-oferecer-no-natal/
http://cacomae.pt/livros-para-o-natal/
http://deusmelivro.com/mil-folhas/os-melhores-livros-de-2017-literatura-em-portugues-12-12-2017/
https://www.evasoes.pt/compras/natal-entre-paginas-livros-para-varios-gostos-e-idades/
E os livros resolvem de forma muito satisfatória toda a complexidade emocional envolvida na oferta de um presente. How the book business invented modern gift-giving.
segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
Sebenta
Acabo de ler metade da sebenta de uma assentada. Recomendo vivamente! (não é graxa, é mesmo o sentimento que tive, uma leitura muito "humana" e coloquial).
Qual o valor dos prémios literários?
"Um escritor que se quer ver consagrado por prémios literários encontra-se numa situação paradoxal, tão paradoxal como o escritor que denuncia a comédia dos prémios literários, ao mesmo tempo que quer ocupar um lugar nela. Por isso, aliás, é que nunca nos desembaraçámos completamente da crença herdada do romantismo segundo a qual os imperativos de uma atitude desinteressada são uma garantia da excelência literária. A proliferação dos prémios criou ainda outro factor de erosão: a constituição dos júris. A reduzidíssima elite do prestígio já não é suficiente. Daí que já tenha emergido a voz denunciadora proveniente de uma autoridade plena de furor catedrático: há jurados que nunca passarão de alunos medíocres, gente que num exame de literatura seria incapaz de distinguir um Molière de um Lamartine."
António Guerreiro, "Os prémios literários", Público, 8/12/2017
Texto completo aqui.
quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
Amanhã, quinta 7, sim, há aula
E é particularmente importante, porque sendo a ante-antepenúltima, é a penúltima antes das férias.
Para além do programa, há que falar de:

Para além do programa, há que falar de:
- prazos para entrega dos trabalhos finais
- as fases da produção do livro. Não sei quantas serão. Alguém faz ideia?
- o calendário do livro. O tradicional e o pós-pós-moderno.

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